O início desta semana do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é marcado pelo forte desejo de sua base aliada por uma cúpula ministerial. O objetivo é traçar rotas para superar a turbulência institucional deflagrada após o Senado barrar a ascensão de Jorge Messias à Suprema Corte.
Um colaborador próximo ao mandatário sinalizou que a cúpula deve ocorrer nos primeiros dias úteis, embora o cronograma oficial ainda careça de martelo batido. A ideia é congregar os chefes das pastas que cuidam do xadrez político da gestão.
Na última quarta-feira (29), o Executivo sofreu um revés sem precedentes quando o Senado descartou o nome de Messias. O atual comandante da AGU obteve apenas 34 votos favoráveis, ficando aquém dos 41 mínimos exigidos, enquanto 42 parlamentares votaram contra sua indicação.
Aponta-se que o naufrágio da indicação foi arquitetado por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O líder do Senado, supostamente insatisfeito com a escolha, teria operado ativamente para minar o prestígio do indicado. Alcolumbre teria se aproximado do bloco oposicionista visando pavimentar sua recondução ao comando da Casa em 2027, embora ele negue qualquer boicote.
O radar do Palácio do Planalto detectou o que classifica como deserções em legendas teoricamente alinhadas, como o MDB, o PP e o PSD. Há ainda desconfianças sobre a postura de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), nome de preferência de Alcolumbre. O fogo amigo não poupou a coordenação política do governo, concentrando críticas na condução de Jaques Wagner (PT-BA) no Senado.
A crise se aprofundou no dia posterior à rejeição de Messias, quando o Legislativo invalidou o veto presidencial ao texto que abranda as punições aos sentenciados pelos atos de 8 de janeiro. Tal medida pode favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros investigados por conspiração contra a democracia.
Diante do que alguns descrevem como a fase mais aguda de instabilidade desde a queda de Dilma Rousseff, defende-se que Lula assuma as rédeas da negociação direta. A meta é blindar a governabilidade e assegurar o avanço de pautas essenciais até o encerramento do calendário legislativo anual, além de estancar a migração de siglas de centro para o projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O governo se divide sobre como revidar:
Linha Dura: Defende o rompimento imediato com Alcolumbre e a retomada do discurso de “Congresso inimigo do povo”, apostando na polarização para obter ganhos políticos.
Linha Moderada: Prega a prudência e a reconstrução de pontes. Para este núcleo, é vital pacificar a relação com a presidência do Senado e buscar o diálogo com as lideranças do "Centrão", evitando um clima de guerra aberta que paralisaria o país.