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Romeu Zema e Erika Hilton trocam farpas sobre fim da escala 6x1: “Politicamente medíocre”
O desentendimento ganhou força após Hilton postar uma comparação entre as visões de espectros políticos distintos sobre a jornada de trabalho. Mesmo sem ter sido mencionado nominalmente, Zema rebateu a postagem, alegando que a deputada “vive de mentira”
05/05/2026 13h29 Atualizada há 4 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Romeu Zema e Erika Hilton - Reprodução: Redes Sociais

A parlamentar federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o antigo governador mineiro Romeu Zema (Novo) travaram um embate digital nessa última segunda-feira (4). O estopim da discórdia foi o debate sobre a extinção do regime de trabalho 6x1, modelo que prevê seis dias de expediente para apenas um de repouso semanal.

O desentendimento ganhou força após Hilton postar uma comparação entre as visões de espectros políticos distintos sobre a jornada de trabalho. Mesmo sem ter sido mencionado nominalmente, Zema rebateu a postagem, alegando que a deputada "vive de mentira" e questionando, de forma provocativa, se o destino ideal para os jovens seria o recrutamento por facções criminosas como o Comando Vermelho (CV).

O político, que almeja o Palácio do Planalto e se posiciona contra a diminuição da carga horária, defendeu que adolescentes a partir dos 14 anos tenham permissão para conciliar estudo e trabalho. Segundo ele, tal autorização é meramente teórica no país, pois, para o setor produtivo, "sobram burocracia e dificuldades".

Contra-ataque: 'Politicamente medíocre'

A deputada reagiu com uma resposta extensa e contundente. Ela acusou o ex-governador de ter arruinado as finanças de seu estado e de desconhecer o esforço trabalhista genuíno.

"Como governador, você privatizou, sucateou, destruiu Minas, deixou as enchentes matarem o povo que você deveria proteger e defendeu os interesses de quem explora a população e o meio ambiente até as últimas gotas de suor, sangue e água", disparou ela.

A parlamentar sugeriu ainda que Zema só manteve sua relevância no comando das empresas familiares, o Grupo Zema, por herança, afirmando que ele foi instruído, “mesmo sem talento algum e sendo politicamente medíocre”, a conseguir “se manter em uma posição de poder para explorar quem trabalha de verdade".

Hilton também interpretou a fala do adversário como uma apologia disfarçada à “volta do trabalho infantil” e uma defesa exclusiva de magnatas.

"Claro, você vai dizer que uma criança tem que estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Você é político, jamais falaria o contrário. Nem você seria um governante tão incompetente", ironizou.

Ao concluir, ela classificou a gestão mineira de Zema como um fracasso, pontuando que o ex-governador busca holofotes ao "brigar com uma deputada de outro estado".

O cenário da jornada laboral

A reestruturação do tempo de trabalho tornou-se bandeira central da gestão Lula (PT). Recentemente, o Executivo enviou ao Legislativo um projeto que visa abolir a escala 6x1, limitando a semana a 40 horas, assegurando o final de semana de descanso sem redução nos salários.

A campanha governamental utiliza o mote: "Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é benefício. É um direito". Atualmente, o texto do Planalto tramita junto a outras medidas no Congresso, incluindo uma PEC de autoria da própria Erika Hilton, que agora é analisada por uma comissão especial.