O cenário político brasileiro entrou em ebulição após novas acusações que cruzam as fronteiras entre o sistema financeiro e o Poder Executivo. Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PL, sugeriu a existência de uma ligação entre o Banco Master e o PT, partido do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva.
A ofensiva de Flávio ocorreu logo após agentes federais cumprirem mandados na residência do senador, Ciro Nogueira (PP), figura central do grupo político da oposição.
A investida policial integra a Operação Compliance Zero, focada em desarticular esquemas de corrupção e desvios financeiros atribuídos a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As investigações indicaram que Nogueira teria usufruído de repasses mensais de meio milhão de reais, além de mimos como hospedagens de alto luxo e gastronomia refinada, tudo financiado pelo banqueiro.
Através de um vídeo divulgado na última quinta-feira (7), Flávio reiterou a urgência de uma investigação parlamentar profunda.
"A CPI do Banco Master precisa sair no papel", diz o presidenciável do PL. "O povo brasileiro merece saber toda a verdade: Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia?"
O vídeo faz alusão às apurações jornalísticas que apontam administrações petistas da Bahia como a "gênese política" da instituição financeira.
Embora o movimento por uma CPI tenha ganhado força em abril, o colegiado ainda não foi oficialmente instaurado. Curiosamente, a pressão inicial partiu de partidos aliados do governo Lula, como as deputadas Heloísa Helena (Rede-SP) e Fernanda (PSOL-RS). No Congresso, discute-se também o formato de uma CPMI, unindo as duas Casas Legislativas.
Até mesmo dentro do Partido dos Trabalhadores há quem reconheça a estagnação da legenda no tema. Edinho Silva, comandante nacional do PT, admitiu uma falha estratégica.
“O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho ao jornal "O Estado de S.Paulo".
Registros fiscais sugerem que o avanço do Master no nicho de empréstimos consignados foi pavimentado durante as gestões de Rui Costa e Jaques Wagner na Bahia. O ponto de virada teria sido a desestatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) em 2018 e o lançamento do CredCesta. Contudo, a Compliance Zero aponta que tais transações de crédito poderiam carecer de garantias reais (lastro).
Enquanto a direita tenta vincular o escândalo ao governo atual, parlamentares progressistas utilizaram a operação contra Ciro Nogueira para desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro. Eles resgataram uma declaração do senador feita em meados de 2025, na qual ele exaltava Nogueira como o parceiro ideal para um projeto eleitoral da família Bolsonaro, antes mesmo da Justiça Eleitoral confirmar a inelegibilidade de seu pai.
Naquela oportunidade, ao projetar a estrutura de governo, Flávio foi enfático sobre sua preferência:
"Tem todas as credenciais para ser Ciro Nogueira, é um bom perfil", diz. "Nordestino, de um partido grande, forte, sempre teve lealdade com o presidente Bolsonaro, foi ministro do presidente Bolsonaro."