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Segundo PF, Ciro Nogueira recebeu propina para favorecer Daniel Vorcaro; entenda
Agentes federais realizaram buscas na residência do parlamentar, localizada em uma região prestigiada de Brasília
08/05/2026 12h43
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro - Reprodução: Reprodução/Metrópoles

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nessa última quinta-feira (7), a quinta etapa da Operação Compliance Zero, que investiga desvios relacionados ao Banco Master. De acordo com o corpo de investigadores, o senador Ciro Nogueira, atual comandante do Partido Progressistas, teria aceitado propina para privilegiar os interesses do investidor, Daniel Vorcaro.

Agentes federais realizaram buscas na residência do parlamentar, localizada em uma região prestigiada de Brasília. Nogueira, ex-ministro da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro, figura como um do líderes do Bloco do Centrão no Legislativo.

O cumprimento das investigações foi comunicado por Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). A ofensiva obteve o aval do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), e contou com o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Ciro Nogueira, que presenciou a varredura em seu imóvel, teve seu aparelho celular e a quantia de US$ 27 mil em espécie apreendidos pela polícia. Ele é o primeiro parlamentar a sofrer busca e apreensão no âmbito do caso Master.

Ao fundamentar sua decisão, o magistrado André Mendonça pontuou que:

"Os autos reúnem diversos elementos de prova, dentre os quais se destacam comprovantes bancários de transferências, registros de viagens e mensagens eletrônicas trocadas, em tese, entre integrantes da organização criminosa. Trata-se de elementos que indicam, em status de alegação, a possível prática de atos de corrupção, operações de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva".

A operação estendeu-se com mais nove ordens judiciais distribuídas por São Paulo, Minas Gerais e Piauí. Em Teresina, reduto político do senador, uma concessionária de motocicletas de sua propriedade foi visitada pelos agentes; no local, funciona também uma firma sob suspeita dirigida por Raimundo Nogueira, irmão do político. Raimundo, também investigado, passará a utilizar tornozeleira eletrônica, sendo apontado pelo STF como peça-chave no suporte logístico e burocrático do esquema.

Outro foco da PF foi Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, assessor de Ciro, suspeito de gerenciar a distribuição dos valores para camuflar a origem do montante ilegal.

Até o momento, a única prisão efetuada foi a de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro. Capturado em Nova Lima (MG), ele cumprirá prisão temporária de cinco dias sob a acusação de ser o articulador financeiro do grupo.

O balanço da operação inclui a apreensão de dez automóveis de luxo, relógios e joias diversas. Além disso, o Judiciário determinou o congelamento de R$ 18 milhões das contas dos envolvidos.