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Saiba os fatores que podem prejudicar planos eleitorais de Eduardo Bolsonaro ao Senado
O caminho do terceiro filho de Jair Bolsonaro apresenta três grandes entraves antes mesmo da oficialização de sua candidatura
11/05/2026 11h08
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
Eduardo Bolsonaro - Reprodução: Leonardo Marques/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

A reportagem da revista VEJA desta semana detalha as manobras de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para se reinserir no cenário político nacional. Após um período de residência nos Estados Unidos e a perda de seu posto na Câmara Federal devido ao excesso de ausências, o ex-parlamentar traça agora sua volta às urnas.

O plano consiste em pleitear uma cadeira no Senado por São Paulo, ocupando o posto de primeiro suplente na chapa liderada por André do Prado (PL), atual comandante da Assembleia Legislativa paulista. O palanque conservador deve contar ainda com Guilherme Derrite (PP), ex-chefe da Segurança Pública do estado, como o outro nome do bloco.

Entretanto, o caminho do terceiro filho de Jair Bolsonaro apresenta três grandes entraves antes mesmo da oficialização de sua candidatura.

Conflitos Internos e Alianças Balançadas

A primeira barreira reside no fogo amigo. Diversos setores do PL manifestaram insatisfação com a indicação de Prado, percebido como um quadro mais alinhado a Valdemar da Costa Neto e ao pragmatismo do Centrão do que ao núcleo ideológico do bolsonarismo.

Nesse processo, figuras leais acabaram preteridas, como Mello Araújo (PL), o deputado Gil Diniz (PL-SP) e Mario Frias (PL-SP), este último, um aliado histórico que visitou Eduardo nos EUA duas vezes este ano. O descontentamento também ecoa entre Michelle Bolsonaro, que visava lançar Rosana Valle, e o influente deputado Marco Feliciano (PL-SP).

Apesar do clima tenso, Eduardo tentou pacificar o grupo justificando que a escolha de Prado é estratégica e garante capilaridade política. O argumento parece ter sido absorvido temporariamente. “Acima de tudo, Eduardo é o cara dessa vaga. E tudo na política é uma questão de ocupação de espaço. A direita está se definindo, não se dividindo”, afirma Mário Frias.

Contudo, fora da legenda, o embate é direto. Ricardo Salles (Novo), também postulante ao Senado, critica duramente a aproximação com o grupo de Valdemar. “Não me vendo para o Centrão, não negocio com gente corrupta, fisiológica. O Centrão é pior que a esquerda, porque finge que é direita, quando convém, e depois vota com a esquerda”, dispara Salles.

O Desafio das Sondagens

O segundo dilema é estatístico: Eduardo precisa provar que sua presença turbina a candidatura de André do Prado. Dados da Genial/Quaest indicam que os nomes da direita ainda não alcançaram dois dígitos, aparecendo atrás de figuras ligadas ao governo federal como Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França, embora haja um vasto campo de eleitores indecisos.

Se antes do exílio Eduardo detinha cerca de 30% de intenções de voto, sua imagem sofreu desgastes após sua atuação no exterior em prol de sanções contra o Brasil. Contudo, Valdemar da Costa Neto mantém o otimismo: “O Eduardo tem completo potencial para transferir votos, entre 30% e 35% é voto certo para a candidatura dele”, garante, apostando também na força de Prado junto ao interior paulista.

A Muralha Jurídica

O ponto mais crítico envolve o Judiciário. Há um intenso debate sobre sua elegibilidade. Embora a cassação por faltas tenha sido um ato administrativo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e não uma punição por quebra de decoro decidida em plenário, especialistas divergem sobre as consequências.

“Não é uma mera cassação por faltas de uma pessoa que, por exemplo, ficou doente. Pode-se interpretar que as faltas dele decorrem de uma tentativa de se evadir da Justiça”, analisa o advogado Fernando Neisser. Sem uma jurisprudência clara, o veredito final deve caber ao TSE, que em breve terá Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro, no comando.

Somado a isso, Eduardo é alvo de processos no STF por coação e figura em investigações sobre milícias digitais e notícias falsas. O temor de complicações jurídicas levou o PL a questionar preventivamente o tribunal eleitoral. “Queremos saber da Justiça Eleitoral os efeitos desse processo na candidatura”, explica Valdemar.

Sobre o risco de uma prisão preventiva caso retorne ao Brasil, a advogada Juliana Bertholdi ressalta que tal medida exige perigo atual: “A questão é a contemporaneidade. O risco, para motivar a prisão, tem que existir agora”.