O senador Ciro Nogueira (PP-PI), adquiriu uma residência de luxo avaliada em R$ 22 milhões apenas 90 dias após iniciar uma parceria societária com o banqueiro, Daniel Vorcaro, e cerca de três semanas antes de protocolar a denominada “emenda Master”, apontada pela Polícia Federal (PF) como a peça-chave que conecta o político ao esquema de corrupção envolvendo a instituição financeira que fraudou o sistema econômico nacional.
Na quinta-feira (7), o líder do Partido Progressista foi alvo de investigações na 5ª etapa da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que ele agiria “em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”, o que incluiria repasses mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. O parlamentar contesta veementemente as acusações.
O imóvel em questão, um triplex de 514 m² localizado no prestigiado corredor da Rua Oscar Freire, em São Paulo, foi comprado em julho de 2024. Pouco depois, em 13 de agosto, Ciro propôs uma alteração à PEC nº 65/2023 para elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, a minuta foi redigida pelo próprio Banco Master e apresentada de “forma integral” pelo senador. Escutas revelam Vorcaro celebrando que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Questionado pelo portal Metrópoles, o senador explicou que a engenharia financeira do negócio envolveu a entrega de um apartamento menor (avaliado em R$ 8 milhões) e o parcelamento do saldo devedor. “Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, declarou Ciro, mencionando a CNLF Empreendimentos, firma que os investigadores acreditam ser uma fachada para propinas.
Mesmo sem quitar o triplex, Ciro decidiu trocá-lo em março de 2026 por uma mansão no Jardim Europa, assinada pelo arquiteto Arthur Casas. O novo refúgio, de 878 m², está sendo adaptado aos desejos do senador e de sua companheira, Lorena Furtado, incluindo a criação de uma área de lazer com cabine de DJ para recepções de negócios.
A transação foi feita com o empresário Antônio Rocha Neto, o "Rochinha", que justificou a troca após sofrer um assalto em sua antiga residência. Ciro estima que o novo casarão valerá os mesmos R$ 30 milhões projetados para a cobertura da Oscar Freire.
A PF sustenta que a atuação legislativa de Nogueira visava blindar as falcatruas do Banco Master, que acabou liquidado pelo Banco Central em 2025. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou as medidas cautelares baseando-se em mensagens em que Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, questionava se deveria manter o pagamento da "parceria" de 300 mil mensais para a empresa CNLF, obtendo confirmação de Daniel.
Além disso, a perícia aponta uma “vantagem negocial” suspeita de R$ 12 milhões em ações adquiridas por Ciro em outra frente de investimentos da família Vorcaro. Somado a isso, o senador e seu parceiro respondem a processos na Justiça do Trabalho por graves violações, incluindo exploração sexual e condições trabalhistas degradantes.
Após a ofensiva policial, Nogueira utilizou suas redes sociais para classificar o episódio como “perseguição política”. Ele argumenta que as investigações surgem estrategicamente em períodos eleitorais para enfraquecer sua liderança.
“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, desabafou o senador, citando que “o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário” em pleitos anteriores.