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PF pode fechar caso Master sem delação de Vorcaro após novas provas
Os agentes agora sustentam que possuem evidências contundentes e novos alvos identificados na quinta etapa da Operação Compliance Zero, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder máximo do Centrão
11/05/2026 12h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Daniel Vorcaro - Reprodução:Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo

Os recentes avanços da Polícia Federal (PF) na investigação sobre o rombo multibilionário do Banco Master fizeram com que a proposta de delação de Daniel Vorcaro perdesse o protagonismo. Os agentes agora sustentam que possuem evidências contundentes e novos alvos identificados na quinta etapa da Operação Compliance Zero, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder máximo do Centrão.

Com a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo do proprietário da instituição, e o confisco de documentos nos endereços de Nogueira, somados aos computadores e aos oito dispositivos móveis de Daniel Vorcaro, a cúpula investigativa crê ser plenamente possível finalizar o processo prescindindo do acordo de colaboração.

Na visão da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), o banqueiro estaria praticando uma “colaboração seletiva”, omitindo figuras influentes e mascarando o rastro do capital desviado. Inclusive, a defesa do empresário já foi notificada de que o cronograma operacional não será interrompido para aguardar as negociações do acordo.

Por conta disso, não se descarta o indeferimento da proposta jurídica de Vorcaro, visto que ela carece de ineditismo. Pela legislação vigente, o colaborador deve apresentar provas materiais irrefutáveis, como registros audiovisuais e documentos, para validar seus depoimentos.

Caso o benefício seja vetado, o executivo permanecerá detido enquanto aguarda o desfecho judicial. Preso há mais de 60 dias, Vorcaro demonstra urgência em obter um habeas corpus, mas o sentimento nos bastidores é de que a liberdade é improvável, dada a densidade das provas e o clamor público.

Os novos protagonistas da Compliance Zero

Ciro Nogueira: Escutas citam pagamentos mensais de R$ 500 mil ao congressista para garantir influência no Legislativo. A instituição teria quitado ainda gastos pessoais, como jantares e passagens aéreas.

Felipe Cançado Vorcaro: Parente do dono do Master, é apontado como peça-chave no braço operacional-financeiro da suposta quadrilha.

Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima: Irmão do senador e gestor oficial da CNLF Empreendimentos. A PF descreve a firma como uma empresa de fachada para camuflar o repasse de verbas ilícitas a Ciro.

Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho: Identificado como o articulador responsável por injetar dinheiro vivo na rede bancária formal.

Expansão da teia política

A nova ofensiva da força-tarefa foca nas conexões de Daniel Vorcaro com o alto escalão do Congresso. Outras lideranças podem surgir; um exemplo é o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que teria utilizado aeronaves do banqueiro após um evento de Fórmula 1 em 2024.

O empresário está sob custódia desde o início de março, decorrente de fraudes envolvendo a comercialização de créditos fictícios ao Banco de Brasília (BRB). A PF acredita que o inquérito, que vence em meados deste mês, deve ser estendido pelo relator no STF, ministro André Mendonça.

O posicionamento de Ciro Nogueira

O parlamentar se manifestou na sexta-feira (8) classificando a ação como “perseguição política” e uma tentativa de desgastar sua imagem em período pré-eleitoral.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, declarou o senador em suas redes. Ele relembrou episódios de 2018, reiterando que “o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário”, sugerindo que a estratégia de seus opositores não prosperará.