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Gastos do governo Lula com viagens em 2025 somam R$2,5 bilhões
Nesses registros confidenciais, omite-se a identidade do passageiro, revelando-se apenas a instituição solicitante, a pasta hierárquica e a duração da jornada
11/05/2026 13h27
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert / 14.fev.2023-PR

A administração federal brasileira desembolsou R$ 2,5 bilhões em viagens nacionais e internacionais ao longo de 2025. O grosso desse montante foi direcionado a itinerários dentro do próprio território brasileiro, totalizando R$ 1,8 bilhão. No ranking de custos, seguem as despesas rotuladas como “informações protegidas por sigilo”, que abocanharam R$ 418 milhões. As incursões globais demandaram R$ 249 milhões, enquanto R$ 15,4 milhões foram gastos em destinos não especificados. As informações são do colunista Lúcio Vaz, da Gazeta do Povo.

Nesses registros confidenciais, omite-se a identidade do passageiro, revelando-se apenas a instituição solicitante, a pasta hierárquica e a duração da jornada. A Polícia Federal lidera essa categoria com R$ 251 milhões, seguida pela Polícia Rodoviária Federal com R$ 120 milhões. O Ministério da Justiça utilizou R$ 39,7 milhões em voos sigilosos, ao passo que o Ministério da Defesa contabilizou R$ 280 mil.

Rotas de Destaque e Cifras Elevadas

O almirante, Renato de Aguiar Freire, rumou à Singapura para a abertura da conferência Defense and Security Equipment International. O custo total chegou a R$ 260 mil, com R$ 246 mil concentrados apenas nas passagens aéreas.

Já no primeiro mês de 2025, Pietro Sampaio Mendes, então à frente do Conselho da Petrobras, visitou Abu Dhabi e Riade para encontros estratégicos com lideranças locais, custando R$ 246 mil (sendo R$ 229 mil em passagens).

A cúpula da COP30 também teve movimentações: Ana Toni cumpriu agenda oficial em Nova Délhi, Adis Abeba, Pequim e Sydney entre agosto e setembro.

No mapa de destinos prioritários, Paris consumiu R$ 12,7 milhões; Genebra, R$ 11,2 milhões; Washington, R$ 7,9 milhões; e Pequim, R$ 7,7 milhões. Tais números são aproximados, dada a complexidade de fracionar custos em missões com múltiplas paradas.

Itinerários Incomuns e Missões Culturais

O governo também marcou presença em locais menos tradicionais. A acadêmica, Sandra Almeida, esteve em Kigali (Ruanda) para um congresso internacional (R$ 47 mil), e José de Oliveira compareceu a um seminário em Pointe aux Piments (Ilhas Maurício) por R$ 33 mil. O diplomata Almir Nascimento esteve em Chengdu, na China, custando R$ 29 mil aos cofres públicos.

O Benin recebeu 21 missões oficiais, somando R$ 160 mil. Destaca-se a presença da ministra Margareth Menezes em cidades como Cotonou e Porto-Novo, onde representou os interesses brasileiros em festivais culturais e projetos de preservação de herança afro-brasileira.

Em datas específicas, valores robustos foram ocultados sob reserva. Um deslocamento do Ministério da Justiça em janeiro custou R$ 117 mil, com R$ 100 mil focados em diárias sigilosas. Outro agente da PF registrou uma conta de R$ 138 mil em outubro, com R$ 130 mil em passagens restritas. Há ainda o caso de um servidor da Justiça que, logo no dia 1º de janeiro, gerou uma despesa de R$ 137 mil, sendo R$ 128 mil destinados a diárias não detalhadas.

A Justificativa Oficial

Em esclarecimento, o Palácio do Planalto pontuou que as movimentações oficiais “seguem criteriosamente as regras estabelecidas” pela lei, englobando atividades vitais como saúde, educação e diplomacia. A tese governamental é de que tais verbas viabilizam a execução direta de políticas públicas.

Sobre o mistério em torno de certos dados, a gestão alegou que o resguardo se baseia na Lei de Acesso à Informação (LAI), sendo essencial para não inviabilizar operações de inteligência ou monitoramentos em curso.

A Controladoria-Geral da União (CGU) reiterou que mantém a transparência sobre os fundamentos legais dessas restrições. Por fim, o Executivo advertiu que “a comparação isolada dos valores pode gerar conclusões distorcidas”, reafirmando seu compromisso com o equilíbrio fiscal e a continuidade dos serviços prestados à população.