O ex-governador mineiro e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, disparou novas críticas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nessa última terça-feira (12). O político assegurou que, caso conquiste o Planalto, empenhará esforços para o afastamento de magistrados da Corte, garantindo que “frutos podres não ficarão” no tribunal.
Durante o fórum Lide, na Brazil Week em Nova York, Zema interpretou a recente derrota do governo no Senado, que barrou Jorge Messias para o STF, como um sinal de mudança:
“Tenho dito que essas frutas podres que estão no STF não ficarão lá. O vento começou a soprar duas semanas atrás quando um indicado do presidente não foi aprovado no STF. Árvore podre não fica de pé muito tempo, pode durar um tempo, mas cai. No STF temos podridão que é só ter o tempo certo que vão cair”, afirmou.
Além da retórica combativa, o pré-candidato apresentou propostas estruturais para o Judiciário, sugerindo uma faixa etária mínima para os indicados ao cargo de ministro.
“Já temos algumas regras (como proposta de campanha). Primeiro, idade mínima de 60 anos. Alguém que chegue ao Supremo como coroamento de uma carreira, ou como acadêmico ou uma carreira no setor jurídico, participação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério Público Federal, que podem estar agregando nessa decisão”.
Zema também mirou o fim das deliberações individuais na Corte. Ao citar uma decisão recente que suspendeu a Lei da Dosimetria, ele questionou a autonomia do Legislativo perante o Judiciário:
“Dá para melhorar a governança, acabar com decisões monocráticas, como essa do último sábado, em que o Congresso vota e um ministro do STF anula numa canetada um voto de mais de 400 parlamentares. Podemos fechar o Congresso desse jeito”.
A relação entre o ex-governador e o Supremo é tensa. Recentemente, Gilmar Mendes solicitou que Alexandre de Moraes investigasse Zema por uma postagem satírica. O conteúdo em questão exibia um diálogo cômico entre fantoches que personificavam Toffoli e Gilmar, envolvendo ironias sobre anulações de quebras de sigilo e trocas de favores em resorts. Antes de decidir sobre a abertura de inquérito contra o pré-candidato, que renunciou ao cargo estadual em março para focar na sucessão nacional, Moraes aguarda o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).