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“Conheço muito bem, tenho dele a melhor impressão”, afirma Temer sobre Ciro Nogueira
Temer defendeu o rigor das apurações, mas condenou conclusões precipitadas
13/05/2026 13h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Michel Temer - Reprodução: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-mandatário, Michel Temer, manifestou-se nessa última terça-feira (12) contra o julgamento antecipado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da Polícia Federal que investiga supostas irregularidades vinculadas ao Banco Master. Temer defendeu o rigor das apurações, mas condenou conclusões precipitadas. Sobre o parlamentar, o emedebista declarou conhecê-lo "muito bem" e possuir dele "a melhor impressão".

"Conheço Ciro Nogueira muito bem, tenho dele a melhor impressão. Se houve equívoco, evidentemente, transparecerá lá adiante; não pode transparecer desde já. Pode ter a notícia, mas é preciso que nós tenhamos consciência de que isso vai obedecer um processo. Esta é a democracia", pontuou Temer em Nova York, onde participa da Brazil Week organizada pelo Lide.

A investigação em curso, batizada de Operação Compliance Zero, apura se Nogueira teria utilizado sua influência política para favorecer o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em troca de benefícios financeiros mensais de até R$ 500 mil. O senador refuta as acusações e se diz pronto para colaborar com a Justiça.

Ao ser questionado sobre o teor das suspeitas, Temer evitou juízos de valor imediatos. "Tem as afirmações acusatórias e tem a negativa dele [Ciro]”, observou. “É preciso inquirir, é preciso denunciar, se for o caso, é preciso julgar. Se for o caso", arrematou.

O ex-presidente também comentou os possíveis reflexos das apurações na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Segundo ele, "tudo isso está sendo denunciado e investigado”. Todavia, lamentou a cultura de justiçamento: "O que ocorre, lamento dizer, é que, normalmente, quando surge o nome de alguém, ele é logo pré-condenado, quando sequer o processo começou. Esse é um equívoco do nosso sistema".

Panorama Eleitoral e Pacificação

Sobre a sucessão presidencial, Temer afirmou não possuir uma "avaliação definitiva". Ele relativizou o peso dos levantamentos de opinião, destacando que "toda pesquisa é relevante", mas que "a pesquisa de hoje não é a pesquisa de amanhã".

Apostando em um perfil conciliador, Temer sugeriu que os presidenciáveis deveriam "anunciar ao povo brasileiro que no terceiro ou quarto dia de governo" convocariam um "um grande pacto republicano pelo país", unindo oposição, sociedade civil e demais Poderes. Para ele, o eleitorado não rejeita a polarização por si só, que definiu como "um embate de ideias, conceitos e projetos", mas, sim, está "cansadas da radicalização”.

O ex-presidente assegurou que não pretende retomar cargos públicos e, ao ser indagado sobre seu apoio eleitoral, brincou: "Pergunta em setembro".

Lei da Dosimetria e Diplomacia

Temer classificou a Lei da Dosimetria, que pode abrandar sentenças dos envolvidos no 8 de janeiro e beneficiar Jair Bolsonaro, como "um tema de pacificação do país".

A respeito da suspensão da norma pelo ministro Alexandre de Moraes, ele considerou natural que a Corte queira validar a constitucionalidade primeiro, mas defendeu agilidade. "Porque, logo em seguida, começa a se examinar caso por caso para fazer a redosagem das penalidades", explicou, prevendo que o STF acabará por validar o texto.

Por fim, ao comentar a reunião de cúpula entre Lula e Donald Trump, Temer creditou o sucesso do diálogo à competência institucional: "a força motriz desse encontro residiu, certa e seguramente, na diplomacia brasileira".