Nos bastidores da política paulista, membros do PT já reconhecem, sob sigilo, a provável ausência de Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, na corrida eleitoral pelo Senado deste ano. Com essa movimentação, o grupo liderado por Lula deve consolidar o nome de Márcio França (PSB), ex-ministro do Empreendedorismo, para a vaga na chapa.
A cúpula que coordena a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) entende que é essencial garantir protagonismo a França, visto que ele lidera o PSB em solo paulista, legenda que abriga o vice-presidente Geraldo Alckmin. A leitura interna é de que o projeto eleitoral de Marina sofreria um processo natural em que acabaria se “desidratando” ao longo da campanha.
Embora tenha surgido a proposta de lançar uma "trinca" governista com França, Marina e Simone Tebet, articuladores políticos temem que tal configuração resulte no isolamento da representante da Rede, minando seu potencial nas urnas.
Para definir o desenho final da coalizão, Haddad planeja encontros nos próximos dias com:
Marina Silva;
Márcio França;
Simone Tebet;
Cúpulas dos partidos aliados.
Dados de institutos de pesquisa revelam um cenário de forte equilíbrio. Em abril, a Genial/Quaest indicou uma igualdade técnica entre Tebet, França e Marina no topo da tabela. Já em março, o levantamento Atlas/Estadão colocou Tebet, Guilherme Derrite e Marina Silva em patamares similares nas intenções de voto.
Dentro do governo, a figura de Márcio França é valorizada por sua habilidade em transitar entre diferentes perfis de votantes:
Centro e Conservadores: Possui abertura com o eleitorado moderado e grupos das forças de segurança.
Interior: Detém forte influência em regiões fora da capital.
Baixa Rejeição: É visto por apoiadores como um nome menos polarizado que figuras puramente ideológicas da esquerda, facilitando alianças com legendas do centrão paulista.