O congressista Nikolas Ferreira (PL-MG) saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na quarta-feira (13). Através de suas redes sociais, o deputado exigiu a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) focada no Banco Master. O posicionamento de Ferreira surgiu após a divulgação de diálogos privados entre o filho do ex-presidente e o investidor Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição financeira.
Nikolas reprovou a discrepância na cobertura dada a figuras da oposição comparada a integrantes do governo atual. Ele mencionou as polêmicas envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e vínculos contratuais de ministros com o Banco Master, afirmando que tais episódios não recebem a mesma averiguação midiática. Na visão do parlamentar, somente uma investigação legislativa seria capaz de elucidar as transações de Vorcaro.
A controvérsia gira em torno de uma solicitação de R$ 134 milhões realizada por Flávio Bolsonaro ao empresário. O montante seria destinado à produção de um filme biográfico sobre a jornada eleitoral de Jair Bolsonaro. De acordo com informações do The Intercept, o banqueiro teria transferido R$ 60 milhões para uma reserva financeira nos Estados Unidos antes de ser preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Registros indicam que, em setembro de 2025, o senador cobrou valores que não haviam sido depositados. Flávio expressou inquietação quanto aos prazos da obra e ao suporte do time técnico nos Estados Unidos. A prisão do empresário ocorreu pouco tempo após o envio de mensagens nas quais o senador se refere a ele como “irmão”, no fim de 2025.
Flávio Bolsonaro rejeita qualquer ilegalidade em sua interação com o proprietário do Banco Master. Por meio de comunicado, o senador declarou que sua intenção foi estritamente angariar um investimento particular para o filme de seu pai. Ele enfatizou que a iniciativa não recorre a incentivos da Lei Rouanet ou ao dinheiro público.
O parlamentar assegura ainda que não propôs benefícios políticos nem atuou como facilitador em tratativas governamentais para auxiliar Daniel Vorcaro. O senador defende que o vínculo teve caráter exclusivamente profissional para viabilizar o documentário.