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Partido de Zema recebeu R$ 1 milhão de pai de Daniel Vorcaro nas eleições de 2022
Conforme as métricas oficiais, o genitor do dono do Banco Master ocupou o sexto posto entre os financiadores mais expressivos da partido Novo em Minas Gerais
15/05/2026 13h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Folha de São Paulo
Romeu Zema - Reprodução: Gil Leonardi/Imprensa MG

Preso na última quinta-feira (14), Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, destinou R$ 1 milhão à cúpula mineira do partido Novo durante o pleito de 2022. Os dados constam nos relatórios de transparência submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conforme as métricas oficiais, o genitor do dono do Banco Master ocupou o sexto posto entre os financiadores mais expressivos da legenda em Minas Gerais. Naquela ocasião, a sigla angariou um montante de R$ 28,6 milhões, ano em que Romeu Zema (Novo) conquistou a reeleição ao governo estadual. O topo da lista de doadores foi ocupado por Salim Mattar, criador da Localiza e ex-membro da gestão de Jair Bolsonaro, com um aporte de R$ 2 milhão.

Através de um comunicado, Romeu Zema asseverou que a transferência ocorreu dentro das normas jurídicas e que “nenhum centavo” abasteceu sua campanha pessoal.

“A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, disparou o atual pré-candidato à Presidência.

A polêmica ganhou força após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) expor os dados da doação. O gesto foi uma retaliação a um vídeo de Zema, no qual o mineiro tachava como “imperdoável” a proximidade de Flávio Bolsonaro com o clã Vorcaro. Em tom irônico, Eduardo questionou se o recebimento daqueles valores também se enquadraria em “fazer a mesma coisa que o PT”.

A legenda reforçou à Folha que nunca ocultou seus patrocinadores e reiterou que, no momento do repasse, as supostas fraudes bancárias eram desconhecidas.

“Desde que o caso veio à tona, o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido”, informou a sigla, completando que mantém “independência absoluta, compromisso com a legalidade e coragem para denunciar quaisquer indícios de irregularidade, independentemente de quem esteja envolvido”.

Detalhes da Operação Compliance Zero

Henrique Vorcaro foi alvo da sexta etapa da ofensiva da Polícia Federal. Segundo os investigadores, ele operava em conjunto com o filho, sendo qualificado como “solicitador e beneficiário” das atividades obscuras conduzidas pela organização "A Turma". O grupo é acusado de realizar coações e buscar infiltrações em dados sigilosos do Judiciário.

A PF sustenta que essa engrenagem criminosa permaneceu ativa mesmo após o encarceramento de Daniel Vorcaro, no final de 2025. Na decisão que autorizou a custódia, o ministro André Mendonça sublinhou que Henrique exercia “função própria e autônoma na engrenagem financeira voltada à sua sustentação”.

Por outro lado, o jurista Eugênio Pacelli, que representa Henrique, argumenta que a medida judicial “se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”, alegando que tais esclarecimentos sequer foram oportunizados à defesa.