Em março, Fernando Haddad confirmou sua saída do Ministério da Fazenda, sendo sucedido por Dario Durigan, para oficializar sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. O anúncio ocorreu em um ato político ao lado do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Na ocasião, o petista rebateu as teses de bastidores de que estaria aceitando uma missão de "sacrifício":
"Eu não disputo eleição para barganhar, disputo para ganhar. Vitória política é sempre possível. Basta você se apresentar de cara limpa e com um bom projeto", afirmou Haddad.
A missão, contudo, é estatisticamente desafiadora. Levantamentos recentes dos institutos Datafolha e AtlasIntel mostram o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na liderança das intenções de voto no estado, flutuando entre 44% e 49% nos principais cenários de primeiro turno. Haddad aparece na segunda colocação, variando entre 26% e 31%, enfrentando ainda taxas de rejeição elevadas herdadas de disputas anteriores.
A linha de ataque mencionada nos bastidores ganhou contornos explícitos em declarações públicas recentes. Conforme noticiado pela imprensa e pela Revista Veja, a equipe de campanha de Haddad decidiu focar no recente escândalo financeiro que envolve o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro como o principal vetor para desgastar a imagem de inocência da gestão de Tarcísio.
A estratégia ganhou voz com o próprio ex-ministro da Fazenda em agendas públicas. Ao comentar as suspeitas e os repasses de Daniel Vorcaro a oposição, Haddad foi categórico ao vincular o grupo político do governador ao caso:
“Não existe uma possível relação entre os Bolsonaro e o Master. É uma coisa só. Daniel Vorcaro foi autorizado a operar pelo presidente do BC, indicado pelo Jair Bolsonaro (...) Jair Bolsonaro recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro. Tarcísio recebeu doação de campanha do Daniel Vorcaro. Toda a relação do Daniel Vorcaro é com o governo Bolsonaro”, disparou o pré-candidato do PT.
A estratégia agora, segundo coordenadores do plano de governo petista, é usar o material de campanha para ligar o governador paulista a doações feitas por pessoas investigadas em esquemas financeiros, tentando quebrar a imagem de "gestor técnico" de Tarcísio e avançar os votos da oposição, especialmente nos municípios do interior paulista, onde o PT sofreu suas maiores perdas na eleição passada.