O ex-parlamentar federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assegurou publicamente que a probabilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL) abdicar de sua pré-candidatura ao Executivo nacional é “zero”. O posicionamento ocorre em meio da divulgação de conversas telefônicas em que o congressista solicita repasses a Daniel Vorcaro, criador do Banco Master, com o objetivo de financiar a obra cinematográfica “Dark Horse”, produção que narra a biografia de Jair Bolsonaro (PL).
As declarações foram dadas durante a participação de Eduardo em uma transmissão conduzida pelo jornalista Paulo Figueiredo na plataforma YouTube. Ao ser questionado se o teor das mensagens vazadas poderia motivar a saída do irmão da corrida pelo Planalto em benefício de outra liderança correligionária, o ex-deputado foi categórico:
“Zero, nenhuma. Até porque, com todo o respeito a todas as outras pessoas do espectro de direita, eu acho que essa possibilidade, ainda que aventada, seria, realmente, o fim dessa eleição”.
Na avaliação do ex-congressista, apenas Flávio reúne as condições necessárias para frear a continuidade do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele revelou, inclusive, o respaldo do próprio pai ao projeto eleitoral do primogênito:
“O próprio Jair Bolsonaro falou para ele [Flávio]: ‘Segue firmeza, garoto, manda ver’”, afirmou.
O ex-deputado frisou que o núcleo familiar “não tem nada a temer”, argumentando que a situação não se caracteriza como “um escândalo de corrupção” e que inexiste “nenhum tipo de crime” nas tratativas financeiras voltadas ao filme.
“Como a gente não tem nenhum receio de que algo de errado tenha sido feito, a gente vem aqui e fala que a candidatura do Flávio está mantida”, declarou.
A despeito da postura combativa, ele reconheceu a necessidade de aprimoramento na estrutura de comunicação da campanha de Flávio, sugerindo que a equipe deveria estar “mais engajada num gabinetezinho para resolução de crises” com o intuito de “dar uma pronta resposta” em episódios dessa natureza.
“Eu sei que não é fácil, tá, pessoal? Porque, quando você toma uma bordoada dessa, você tem que parar, tem que ver o que que é. O que mais querem é que nós coloquemos a língua entre os dentes”, desabafou Eduardo.
Ele justificou o tempo de resposta da família alegando a necessidade de coletar dados precisos antes de vir a público:
“A gente demora um pouco para responder porque a gente não pode dar uma resposta qualquer, senão a gente vai cair em contradição, vai cair em falta de informação completa. E aí o que é um prato cheio para nossos inimigos”, declarou.
Durante a entrevista, Eduardo confrontou os questionamentos sobre a hipótese levantada pela Polícia Federal de que os recursos pleiteados por Flávio junto a Vorcaro teriam como finalidade subsidiar as despesas de sua própria estadia em território americano.
Conforme informações publicadas pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, a estrutura de gestão patrimonial privada Mercury Legacy Trust efetuou a compra de uma residência no estado do Texas pelo montante de US$ 753.500 (o equivalente a R$ 3,8 milhões). A localidade coincide com o estado onde o ex-deputado está morando.
Eduardo rechaçou veementemente qualquer vínculo econômico ou imobiliário que o conecte ao seu defensor legal ou à carteira de investimentos responsável pela aquisição do imóvel nos Estados Unidos.
“Zero dinheiro do fundo e zero dinheiro do Vorcaro”, enfatizou. “Não comprei uma casa, não tem nada no meu nome, moro de aluguel, não moro nessa cidade que estão falando e eu moro de aluguel”, concluiu.