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Erika Hilton aponta censura em perfis LGBTQIA+ derrubados e exige resposta da Meta
Ao longo dos últimos dias, importantes páginas brasileiras voltadas a informação, cultura e mobilização da comunidade foram removidas, incluindo nomes expressivos como Pheeno, Universo LGBTI, Ezatamentchy, GayBlogBr e Comunidades LGBTQIA
19/05/2026 13h52
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Extra
Reprodução: Câmara dos Deputados

Na semana que marca o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, comemorado em 17 de maio, a derrubada de canais e restrições de contas voltadas ao público LGBTQIA+ no Instagram dispararam um sinal de alerta entre produtores de conteúdo, defensores dos direitos humanos e entidades civis no país. A onda de banimentos coincide com uma fase de afrouxamento nas regras de controle de conteúdo da Meta, empresa que gerencia a rede social, levantando severas dúvidas sobre os reflexos dessas diretrizes na livre manifestação, na integridade virtual e na projeção dessa parcela da sociedade.

Ao longo dos últimos dias, importantes páginas brasileiras voltadas a informação, cultura e mobilização da comunidade foram removidas, incluindo nomes expressivos como Pheeno, Universo LGBTI, Ezatamentchy, GayBlogBr e Comunidades LGBTQIA.

O idealizador do Ezatamentchy, Estêvão Delgado, recapitulou o percurso histórico de sua iniciativa ao pontuar que “o @ezatamentchy foi um dos perfis pioneiros na produção de conteúdo LGBTQIA+ no Instagram brasileiro, ajudando a moldar novas formas de comunicação e engajamento ainda nos primeiros anos da plataforma”. De acordo com sua avaliação, o canal se fincou por mais de dez anos como um epicentro de manifestação cultural, acolhimento e relevância coletiva.

O influenciador manifestou forte repúdio à dinâmica dessas desativações, considerando o panorama atual extremamente grave. “É notório que o banimento simultâneo de diversas páginas LGBTQIA+ acontece de forma arbitrária e preocupante. Estamos falando de plataformas que, juntas, movimentam cultura, informação, entretenimento e transformação social”, declarou Estêvão, reiterando a relevância dessas redes para fundamentar a representação e a projeção do grupo.

Tais ocorrências ganham contornos mais críticos por antecederem o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, período do ano consagrado a mutirões informativos, engajamento político e resguardo das pluralidades. Entidades do setor alertam que o sumiço ou a perda de distribuição desses canais atinge frontalmente o fluxo de notícias e o acolhimento em ambientes cibernéticos para denúncias, fragilizando sobretudo as camadas socialmente mais expostas.

A problemática ultrapassa as fronteiras nacionais.  Relatos semelhantes de restrições e queda de alcance de conteúdos LGBTQIA+ vêm sendo registrados em outros países, sugerindo um possível padrão internacional.

Reações institucionais e políticas

O diretor do Sleeping Giants Brasil, Humberto Ribeiro, subiu o tom contra o panorama vigente: “É um escândalo que um ano após a Meta passar a autorizar a disseminação de conteúdo de ódio [...] a empresa agora censure algumas das vozes mais importantes da comunidade LGBTI+ do Brasil”. O gestor antecipou que a organização estuda interpelar judicialmente a companhia e seus investidores, além de acionar a Procuradoria da República.

O descontentamento ganhou força após as modificações executadas pela Meta no início do ano passado, quando a corporação suavizou suas regras de moderação, tolerando, sob certas justificativas, postagens que correlacionem homossexualidade ou transição de gênero a termos como “doença mental”.

Como desdobramento, o Ministério Público Federal deu início a um procedimento investigatório para apurar potenciais prejuízos aos direitos dessa população, exigindo relatórios detalhados sobre as novas posturas de fiscalização da multinacional.

No campo político, o tema repercutiu de imediato. A deputada federal Erika Hilton interpretou o episódio como uma agressão explícita ao movimento: “É inadmissível que, justamente na semana de combate à LGBTfobia e às vésperas do Mês do Orgulho, a Meta promova um apagamento sistemático de páginas que informam, defendem e acolhem a nossa comunidade”.

A parlamentar asseverou que “esse silenciamento digital covarde não é um mero erro de algoritmo”, garantindo que manterá a pressão institucional por “transparência e respeito”, deixando claro que o segmento não aceitará o isolamento “nem nas ruas, nem nas redes sociais”. O acúmulo de queixas joga luz sobre a necessidade premente de auditoria nos mecanismos de inteligência das redes e tensiona o debate sobre o limite do poder privado empresarial diante da sobrevivência e da pluralidade de discursos na internet.