Um caso chocante de escravização trabalhista tem repercutido na web nos últimos dias. As personagens dessa triste história são duas mulheres: a vereadora Simone Cabral (União Brasil - MG) e uma empregada doméstica que não foi identificada.
Tudo começou no ano de 1996, há exatos 28 anos. Simone ‘contratou’ uma mulher preta e PCD (pessoa com deficiência) para trabalhar em sua casa localizada na cidade de Além Paraíba, Minas Gerais. Seria apenas uma situação comum, se não fosse um grave detalhe: Simone jamais remunerou a funcionária.
Segundo informações do site Brasil de Fato, a parlamentar, uma mulher branca, manteve a trabalhadora doméstica, uma mulher negra e com deficiência auditiva em condições insalubres, sem os seus direitos trabalhistas básicos (salário mínimo, férias e 13º salário).
É dito também que a funcionária sequer tinha um quarto para dormir e os seus pertences eram apenas poucas roupas, produtos de higiene, um cobertor e um espelho. Ela ainda acumulou tarefas abusivas nos últimos meses ao ser designada a cuidar de um de seus patrões adoentados.
Além de vereadora, Simone Cabral também foi secretária de saúde de sua cidade por cerca de 2 anos. Contudo, mesmo que tivesse condições financeiras para manter dignamente a funcionária, Simone nunca fez questão. Ao longo dos 28 anos, a funcionária também não teve acesso e apoio financeiro para tratar seu problema de audição. No ano de 2009, é dito que a vereadora até chegou a assinar a carteira da mulher, mas, mesmo assim, nunca pagou os seus direitos. Em 2015, ela foi ‘falsamente’ demitida antes da Lei das Domésticas entrar em vigor.
A operação de resgate aconteceu no último dia 2 de dezembro pela equipe de fiscalização do MTE, pela Gerência Regional do Trabalho de Juiz de Fora (MG), pelos auditores-fiscais de Conselheiro Lafaiete, além dos integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
Lobo em pele de cordeiro
Em postagens no Instagram do ano de 2022 e 2023, Simone aparece entregando medalhas do prêmio ‘Zumbi dos Palmares’ a pessoas homenageadas em sessão da câmara municipal.
A medalha é direcionada a pessoas ou entidades que se destacam em diversos setores da sociedade na luta e combate ao racismo.