Atendendo a uma solicitação formulada pela Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), referendou a realocação carcerária de Daniel Vorcaro.
Com a determinação, o investigado foi transferido para uma cela convencional. A partir de agora, ele estará sujeito ao regulamento interno da corporação, inclusive no que tange ao cronograma e formato para o atendimento de seus defensores jurídicos.
Anteriormente, o banqueiro usufruía de acomodações similares a uma "sala de Estado-maior". O aposento em questão é o mesmo que serviu de custódia para o ex-mandatário Jair Bolsonaro entre o penúltimo mês de 2025 e o início de 2026.
Vorcaro havia sido deslocado em 19 de março do presídio de segurança máxima da capital federal rumo à sede da Superintendência da PF, localizada na região central de Brasília. Na véspera dessa movimentação inicial, o representante legal do detido, José Luís Oliveira Lima, havia contatado os policiais para manifestar a intenção de seu cliente em estruturar um acordo de colaboração premiada. O defensor também manteve audiência com o ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do inquérito do Banco Master no STF.
A anuência atual do magistrado sinaliza o encerramento da fase de redação dos termos do acordo de delação. Conforme apurações de bastidores, o retorno ao regime comum de carceragem não possui qualquer vínculo com as revelações contidas no depoimento.
A cronologia penal de Daniel Vorcaro aponta que sua segunda detenção ocorreu em 4 de março, fruto dos desdobramentos da terceira etapa da Operação Compliance Zero. 48 horas após o ocorrido, ele foi removido da unidade de Potim (SP), no interior de São Paulo, diretamente para o sistema penitenciário federal em Brasília.
O reposicionamento de sua defesa jurídica desenhou-se logo depois que o colegiado do STF consolidou entendimento majoritário para mantê-lo privado de liberdade. Visando viabilizar o pacto de colaboração no escândalo do Banco Master, Vorcaro substituiu sua banca e outorgou poderes a José Luís Oliveira Lima.
Mais conhecido nos círculos jurídicos como Juca, o novo advogado carrega em sua trajetória a costura de acordos de grande impacto, a exemplo da delação do construtor Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, no âmbito da finada Operação Lava Jato. Com o novo direcionamento, o jurista Pierpaolo Bottini desligou-se da representação do réu.
O antigo dono da instituição financeira encontra-se sob o radar das autoridades por supostos esquemas ilícitos bilionários. A expectativa é que o compartilhamento de suas informações forneça novas pistas para acelerar o curso das apurações.