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Sobrinho de Dilma ironiza políticos de oposição com fantoches de IA
O vídeo, intitulado “Os Imbrocháveis”, utiliza fantoches criados com inteligência artificial. O formato se assemelha ao modelo anteriormente divulgado pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para alfinetar integrantes da Suprema Corte
20/05/2026 17h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Daniel Ferreira / Metrópoles / Redes Sociais

O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), veiculou em suas redes sociais uma animação satírica com fantoches envolvendo políticos de direita. A publicação foi feita depois da repercussão do vazamento de áudios do senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual ele solicitava recursos a Daniel Vorcaro, criador da instituição financeira Master.

O vídeo, intitulado “Os Imbrocháveis”, utiliza fantoches criados com inteligência artificial. O formato se assemelha ao modelo anteriormente divulgado pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para alfinetar integrantes da Suprema Corte.

No material, é encenada uma conversa fictícia entre os fantoches virtuais de Flávio e de Vorcaro. No enredo simulado, o avatar do senador pede repasses milionários para bancar uma produção cinematográfica biográfica sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O boneco que personifica o congressista justifica a demanda alegando que o dinheiro serviria “pelo Brasil, pela família, pela liberdade e pelo cinema nacional”.

Posteriormente, a gravação introduz o boneco representativo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na paródia, o jovem político transparece forte contrariedade diante dos elos entre Flávio e Vorcaro, alertando que a militância passaria a exigir esclarecimentos acerca do Banco Master. Segundo a narrativa da sátira, isso fulminaria o discurso moralista da direita, retirando o alicerce para que atacassem o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o STF.

A sátira estende-se ainda à figura de Zema. Na sequência correspondente, um auxiliar do político do partido Novo relata que a legenda recebeu aportes financeiros de Vorcaro. O fantoche do ex-governador minimiza o fato, argumentando que a receita foi devidamente registrada na prestação de contas e que o escândalo só mereceria repúdio caso os beneficiários fossem seus opositores.

Toda a engrenagem do roteiro replicado por Pedro Rousseff ancora-se nas revelações jornalísticas trazidas pelo portal The Intercept Brasil sobre a origem do patrocínio do filme “Dark Horse”, obra associada à trajetória política de Jair Bolsonaro. De acordo com os dados expostos pelo site, registros documentais, arquivos de áudio e transações bancárias sinalizam que Vorcaro forneceu R$ 61 milhões ao projeto entre os meses de fevereiro e maio de 2025, fazendo parte de um contrato projetado em R$ 134 milhões.

A Inspiração no Modelo de Comunicação de Zema

A linha visual e o tom irônico adotados pelo vereador petista copiam exatamente a metodologia aplicada por Zema na minissérie “Os Intocáveis”, produção na qual os magistrados da Alta Corte do país eram ridicularizados por meio de esquetes de comédia.

Em uma das edições disponibilizadas pelo ex-governador de Minas, o personagem do ministro Dias Toffoli demandava ao clone de Gilmar Mendes a interrupção de um procedimento de devassa fiscal na comissão parlamentar do Crime Organizado. Naquela ficção, o pleito era deferido em troca de benefícios e privilégios em um complexo de lazer.

Em decorrência desse episódio, o ministro Gilmar Mendes acionou os mecanismos jurídicos para requerer a anexação do nome de Zema ao Inquérito das Fake News, procedimento que investiga calúnias, difamações e coações direcionadas aos membros do STF.