Mesmo com o parecer negativo da Polícia Federal em relação ao acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a Procuradoria-Geral da República dará andamento ao debate do material fornecido pelos advogados do executivo. A apuração foi ratificada pelo Metrópoles.
A negativa da corporação policial ocorreu no final da quarta-feira (20). Na avaliação dos responsáveis pelo caso, o depoimento preliminar do investidor blindava personagens de peso do cenário político do Distrito Federal e camuflava detalhes cruciais sobre os desvios contábeis sob apuração.
Anteriormente, as autoridades já haviam notificado o corpo jurídico do detido sobre a fragilidade dos relatos e o perigo de uma colaboração “seletiva” por parte de Vorcaro.
O plano do gestor era firmar o pacto judicial ainda no mês passado, contudo, divergências e trâmites internos com seus defensores atrasaram a compilação dos dados fundamentais exigidos pelo procedimento.
Apesar da recusa policial, a PGR mantém o foco nas pastas documentais anexadas. A meta da instituição é esmiuçar o acervo de evidências disponibilizado pelo custodiado.
O requerimento formal para o benefício jurídico foi protocolado na primeira quinzena deste mês, culminando um esforço de preparação que durou cerca de um mês e meio.
Cabe agora aos procuradores realizar uma varredura nos arquivos digitais contidos no pen drive entregue ao Estado. O núcleo acusatório avaliará a viabilidade material das admissões de culpa e se as pistas requerem novas apurações de campo, cruzando os dados inéditos com o acervo processual já consolidado.
Para obter validade jurídica, o testemunho do executivo necessita agregar dados inéditos e comprobatórios aos autos do processo.
O chefe da instituição financeira permanece sob custódia cautelar desde as primeiras semanas de março. Sua detenção se deu no rastro da terceira etapa da Operação Compliance Zero, cujo escopo é desvendar transações ilícitas envolvendo a cessão de recebidos adulterados ao Banco de Brasília.