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Quem é Eduardo Fischer, novo responsável pela campanha de Flávio Bolsonaro
Fischer construiu sua reputação no mercado assinando peças publicitárias de apelo popular que marcaram época na televisão brasileira
21/05/2026 17h19
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Eduardo Fischer - Reprodução: Redes Sociais

O comando da estratégia publicitária de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida rumo ao Planalto está sob nova direção. Eduardo Fischer, publicitário com premiações expressivas no setor privado e bagagem na eleição presidencial de 2018 ao lado de Álvaro Dias (MDB-PR), foi o escolhido para liderar a equipe de marketing.

A substituição ocorre em um momento de forte desgaste político para o congressista, desencadeado pelo vazamento de uma gravação enviada ao financista Daniel Vorcaro, integrante do Banco Master. No registro, o parlamentar solicitava recursos financeiros para viabilizar um documentário focado na trajetória de seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

Fischer construiu sua reputação no mercado assinando peças publicitárias de apelo popular que marcaram época na televisão brasileira. A frente da Agência Fischer, empresa criada e presidida por ele, assinou projetos de grande repercussão, conforme destacado pela Academia Brasileira de Marketing (Abramark).

Destaques da Carreira de Eduardo Fischer
Criador de slogans clássicos como "Brahma número 1" e a campanha "A volta do Baixinho da Kaiser".
Idealizador do projeto cultural "É Tempo de Brasil", sediado no Museu do Louvre (França) durante o Mundial de Futebol de 1998.
Consultor de estratégia política para Álvaro Dias em 2018 (pleito em que o candidato obteve 859 mil sufrágios, equivalente a 0,80% dos votos válidos).

Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo no ano de 2017, o profissional defendeu abertamente uma reestruturação nas regras de financiamento do setor.

"Não está muito claro o que é ou não legal. É quase crime você trabalhar para um político. Você não tem como receber. O cara não tem como te pagar, o dinheiro que vem é escuso", disse ele à Folha de S. Paulo.

Ruídos nos Bastidores e os Motivos da Troca

Embora sua chegada tenha o aval do senador Rogério Marinho (PL-RN), articulador principal da mobilização eleitoral, a escolha de Fischer já desperta contestações na ala partidária. Interlocutores ligados ao projeto confidenciaram que o publicitário é visto por alguns como alguém "desatualizado" para as dinâmicas digitais contemporâneas.

A oficialização do novo nome ocorreu logo após uma reunião entre Flávio Bolsonaro e o antigo marqueteiro, Marcello Lopes. Em posicionamento enviado aos veículos de comunicação, alegou-se que Lopes se desligou do projeto por iniciativa própria para concentrar esforços em suas empresas particulares.

Contudo, os bastidores apontam para uma demissão motivada por insatisfação técnica. Apurações jornalísticas indicam que a performance de Lopes vinha sendo duramente criticada pela equipe do parlamentar, sobretudo por sua incapacidade de gerenciar as crises de imagem e blindar o pré-candidato de forma eficiente. O conselho de aliados foi unânime: era preciso oxigenar o marketing imediatamente.

O Pivot da Crise: As Conversas com Daniel Vorcaro

O estopim para a reestruturação da equipe foi a revelação de diálogos e arquivos de áudio entre o filho do ex-presidente e o banqueiro Daniel Vorcaro. As tratativas envolviam o repasse de cifras vultosas, estimadas em R$ 134 milhões, destinadas à produção cinematográfica intitulada "Dark Horse". O material, trazido a público pelo veículo Intercept Brasil, teve sua autenticidade chancelada por autoridades que acompanham o caso.