De acordo com Felipe Vieira, do Diário do Poder, causa constrangimento, em um regime democrático, observar quando cortes estrangeiras manifestam desconfiança perante sentenças emanadas pela mais alta instância jurídica de uma nação. O que anteriormente se restringia ao debate político da oposição local adquiriu contornos globais. Nações como Itália, Espanha, Estados Unidos e episódios na Argentina evidenciam a crescente complexidade enfrentada pelo Brasil para consolidar a colaboração internacional em processos vinculados ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes.
O exemplo atual vem da Itália, com a revogação da extradição de Carla Zambelli. Precedendo esse caso, a Espanha refutou categoricamente a deportação do blogueiro Oswaldo Eustáquio. Em território americano, Allan dos Santos permanece inacessível às autoridades brasileiras devido à hesitação dos EUA em cumprir o requerimento de extradição. De forma análoga, na Argentina, partidários da oposição têm encontrado um cenário jurídico e político menos inclinado a acatar determinações brasileiras.
Apesar das peculiaridades de cada processo, um traço comum se sobressai: magistrados estrangeiros revelam apreensão quanto à liberdade de expressão, à razoabilidade das sanções e aos direitos processuais. A falha institucional reside precisamente nesse ponto. Nações democráticas operam via cooperação baseada na credibilidade mútua de seus sistemas. Quando esse alicerce sofre rachaduras, o prejuízo transcende a figura de agentes políticos.
É inegável que réus buscam transmutar delitos em enredos de vitimização. Tal comportamento é universal. A fragilidade surge quando tribunais lá fora não rechaçam prontamente tais alegações e, por vezes, validam parte desses questionamentos.
Nos tempos recentes, o STF expandiu sua esfera de influência de modo singular. A Corte assumiu o protagonismo em inquéritos, ordenou prisões, bloqueios de ativos, censura de materiais e inabilitação de usuários em plataformas digitais. Sob a justificativa de salvaguardar o Estado democrático, estruturou-se uma espécie de regime de exceção contínuo. Detratores argumentam que tais iniciativas aglutinam prerrogativas desmedidas, comprometendo salvaguardas históricas do devido processo legal.
Alexandre de Moraes personifica esse paradigma. Para seus aliados, ele é a parte vital frente às investidas contra instituições e ao fluxo de notícias falsas. Para seus opositores, ele simboliza um Judiciário que avança sobre o contraditório, pautado por uma atuação expansiva e personalista.
A inquietação internacional decorre exatamente dessa disparidade de visões. Nações como Espanha e Estados Unidos possuem um histórico robusto de tutela da livre manifestação, abarcando até falas vistas como extremas ou injuriosas. Quando juízes estrangeiros passam a identificar excessos em decisões que o Brasil apresenta como medidas de proteção democrática, acende-se uma luz vermelha impossível de negligenciar.
O reflexo ultrapassa as fronteiras da polarização doméstica. O Brasil passa a carregar o estigma de uma nação cujos vereditos de sua Suprema Corte encontram entraves crescentes no exterior. Tal fenômeno corrói a reputação da magistratura brasileira e reforça o entendimento de que o STF está excedendo balizas basilares do Estado de Direito.