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Haddad se justifica pela taxa das blusinhas: “Uma decisão de todos”
O tributo em questão foi estabelecido mediante legislação articulada pelo Legislativo no ano passado, contando com o apoio da equipe econômica
25/05/2026 15h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Flickr/@ministeriodaeconomia

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), manifestou-se no sábado (23) em defesa da taxação sobre compras internacionais de baixo valor, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas",  que teve sua cobrança suspensa pelo governo federal no decorrer deste mês. Segundo o petista, a iniciativa representava um mecanismo de proteção à indústria nacional e foi fruto de uma “decisão conjunta”.

O tributo em questão foi estabelecido mediante legislação articulada pelo Legislativo no ano passado, contando com o apoio da equipe econômica. Contudo, por via de Medida Provisória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou com a incidência federal de 20% sobre aquisições em marketplaces globais como Shopee, AliExpress e Shein, para pedidos limitados a US$ 50.

"Foi um gesto dos governadores e do varejo para proteger as empresas brasileiras", argumentou Haddad durante agenda realizada em Sorocaba (SP). O ex-ministro, que agora se projeta como postulante ao Palácio dos Bandeirantes, foi um dos principais entusiastas da cobrança durante sua gestão, postura que lhe rendeu a alcunha jocosa de "Taxad".

A política econômica gerou um intenso debate público. Enquanto setores da indústria e do comércio varejista celebraram a alíquota, parcela significativa dos consumidores manifestou oposição. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), inclusive, reprovou a revogação do tributo e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com um questionamento jurídico contra a MP.

"É natural que haja divergência sobre como proteger a economia brasileira", ponderou o ex-ministro. "E pode haver divergência, uma parte vai perder, outra parte vai ganhar.".

Ao ser provocado sobre a identificação pessoal do tributo com sua gestão, o petista demonstrou desconforto: "Todos os partidos e todos os governadores tomaram essa decisão. Então, não é uma decisão pessoal do Fernando Haddad, do Luiz Inácio, do [governador de São Paulo] Tarcísio de Freitas, do [ex-governador de Minas Gerais, Romeu] Zema", pontuou.

Embora o setor produtivo tenha lamentado o desfecho, o Palácio do Planalto interpretou a eliminação da taxa como um movimento favorável aos anseios populares. Levantamentos internos de opinião indicaram que a medida possuía um dos índices de desaprovação mais elevados da gestão Lula, tornando sua supressão um objetivo estratégico do governo a menos de meio ano do pleito eleitoral.