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Polícia descreve transferências bancárias entre cunhada de Marcola e Deolane Bezerra
Em uma passagem do dossiê, a Polícia Civil paulista aponta que Deolane efetuou operações bancárias, por vias diretas ou transações, com Francisca Alves da Silva, companheira de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola
26/05/2026 09h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

Os autos da investigação que culminaram na detenção da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, ocorrida na última quinta-feira (21), detalham fluxos de capital entre a investigada e figuras do núcleo de comando do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em uma passagem do dossiê, a Polícia Civil paulista aponta que Deolane efetuou operações bancárias, por vias diretas ou transações, com Francisca Alves da Silva, companheira de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola.

Francisca acumula antecedentes criminais por associação criminosa, lavagem de bens e corrupção ativa. No ano passado, o Poder Judiciário concedeu-lhe a liberdade após um período de aproximadamente dezoito meses de reclusão devido à Operação Primma Migratio, sob a acusação de envolvimento com apostas ilegais e o "jogo do bicho" no estado do Ceará.

O documento policial classifica Deolane Bezerra como integrante do PCC, atribuindo-lhe, segundo os investigadores, um papel estratégico na dissimulação e na redistribuição de ativos financeiros oriundos da organização criminosa.

O elo entre a influenciadora e um operador do PCC

O caminho das autoridades até Deolane passou por Everton de Souza, conhecido pelos apelidos “Player” ou “Temer”. Conforme os dados apurados, ele atuava como um dos operadores financeiros e intermediários da facção, encarregado da administração de patrimônio e do repasse de verbas para o topo da hierarquia criminosa, especificamente em prol de Alejandro e Marcola.

A conexão entre Everton e Deolane Bezerra Santos é tida como o núcleo da tese investigativa, revelando-se fundamental para validar a tese de que a advogada participava ativamente da estrutura de lavagem de dinheiro.

Na condição de gestor oculto da Lopes Lemos Transportadora, apontada como uma empresa de fachada, Everton instruía o administrador operacional Ciro César Lemos a processar transferências bancárias para as contas de Deolane.

Tais aportes comporiam o que a polícia define como o acerto mensal ou “balancete” da facção. Foram detectadas 34 transações que utilizavam intermediários comuns, prática que sugere uma engenharia de repasses fracionados para ocultar o rastro do capital (layering).

Ambos faziam uso dos serviços de Eduardo Affonso Rodrigues, identificado como o contador da trama, cuja função seria a abertura e a manutenção de empresas fictícias para os dois investigados.

A polícia rotula essas companhias como "espelho", pois notou que operam sob o mesmo padrão: encontram-se registradas em locais de moradia sem qualquer atividade comercial real, ou até mesmo dividem o mesmo espaço físico para diferentes números de CNPJ.

Ademais, Deolane surge como procuradora legal de Everton em cadastros policiais e consta como testemunha em registros onde ele figura na posição de vítima.

O vínculo entre ambos parece ter se fortalecido, conforme relatado por Everton em depoimento, ao afirmar que alugava um imóvel da advogada no bairro Tatuapé, zona leste paulistana, por um valor mensal de R$ 5 mil.

Segundo as autoridades, o conteúdo de conversas de ex-membros da facção e publicações em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre eles, evidenciada pela presença de Everton em celebrações familiares da advogada.

Cronologia da Operação

As diligências tiveram início em 2019, após policiais penais interceptarem bilhetes em posse de detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos expuseram detalhes sobre o funcionamento interno do PCC, a atuação de seus líderes e planos de represália contra servidores públicos.

Ao encontrar menção a uma “mulher da transportadora”, que teria mapeado endereços de funcionários do Estado para viabilizar atentados, a Polícia Civil identificou a transportadora que deu origem à segunda fase do inquérito.

Iniciada em 2021, a Operação Lado a Lado expôs que a transportadora servia de braço financeiro do grupo criminoso, além de revelar uma incompatibilidade entre a renda declarada e o crescimento patrimonial apresentado. Durante essa fase, a polícia encontrou um celular com evidências de transferências a Deolane, além de comprovar laços estreitos da influenciadora com um dos sócios ocultos da transportadora.

Para os investigadores, Deolane assumiu um posto de relevância no caso, devido a transações financeiras vultosas, disparidades patrimoniais e indícios de vínculo com a cúpula do PCC. As movimentações, que incluíam recebimentos de procedência duvidosa e a aquisição de bens de luxo, serviram como base para os mandados cumpridos na quinta-feira (21).