A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal chancelou, na terça-feira (26), a obrigatoriedade da presença do diretor-presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza. O objetivo é esclarecer as transações efetuadas pela entidade junto ao Banco Master, bem como as repercussões e desdobramentos desses negócios.
Embora o gestor tenha sido chamado originalmente em abril, por solicitação da parlamentar Damares Alves (Republicanos-DF), que buscava detalhes sobre as medidas corretivas da atual administração, a vinda do dirigente não se concretizou.
Conforme explicou o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que preside a CAE, o executivo condicionava seu depoimento à publicação prévia dos resultados contábeis da instituição. Contudo, o BRB falhou em cumprir o cronograma legal de transparência, deixando de apresentar ao mercado suas demonstrações de 2025, cujo limite expirou em 31 de março.
"Ora, desde janeiro o BRB não publica balanço; então, nessa lógica ele não vem nunca depor na comissão", declarou Calheiros. A data estipulada para a oitiva é 2 de junho, próxima terça-feira.
Até o momento, a equipe de comunicação do BRB não confirmou se o seu principal executivo atenderá ao chamado parlamentar.
A real dimensão do prejuízo contábil causado pelas trocas financeiras com o Master permanece uma incógnita. É a segunda vez seguida que o banco brasiliense ignora o prazo regulamentar para reportar seus números, tendo falhado também no anúncio do terceiro trimestre de 2025.
Em um comunicado ao mercado realizado em março, o BRB justificou o atraso no relatório anual alegando a "necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação Compliance Zero, bem como da adequada avaliação, pela administração da companhia e pelo auditor independente, de seus potenciais impactos."