O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, foi marcado por momentos de forte tensão no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira (27), o psiquiatra Rafael Bernardon fez declarações contundentes ao afirmar que identificou, ao analisar o processo, um suposto padrão de violência infantil associado ao ex-vereador.
Convocado pelo Ministério Público, o especialista declarou que percebeu um comportamento que indicaria satisfação de Jairinho ao provocar sofrimento em crianças. “Há um padrão de abuso infantil por parte do réu, um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, afirmou durante o depoimento.
Durante a audiência, Bernardon também reforçou avaliações anexadas anteriormente ao processo. Segundo ele, os elementos reunidos na investigação apontariam para um perfil “egocêntrico, narcisista e sádico”.
O psiquiatra explicou que sua interpretação foi construída a partir da análise dos autos e das informações presentes no inquérito. “Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, declarou.
A fala provocou reação imediata de Jairinho, que interrompeu o depoimento para afirmar que o especialista estava apenas expondo uma opinião pessoal.
A defesa do ex-vereador reagiu de forma dura às declarações feitas no plenário. Em nota enviada à imprensa, o advogado Rodrigo Faucz afirmou que o psiquiatra não poderia emitir avaliações sobre alguém que nunca entrevistou diretamente.
“É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, declarou o defensor.
Segundo a defesa, Bernardon não presenciou os fatos investigados e teria sido contratado exclusivamente para reforçar a tese apresentada pela acusação. O advogado também afirmou que a magistrada responsável pelo caso já havia considerado o depoimento irrelevante em uma fase anterior do processo.
O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio de Janeiro, e já entrou no terceiro dia de sessões. Ao longo desta quarta-feira, ainda estavam previstos os depoimentos do perito Luís Carlos Leal Prestes e da médica Maria Cristina de Souza Azevedo.
Ao todo, 27 testemunhas devem ser ouvidas no caso, que segue mobilizando a opinião pública desde a morte de Henry Borel, ocorrida em 2021.