O presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca viabilizar a presença de Márcio França (PSB) como vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. A manobra visa destravar o impasse sobre as duas vagas ao Senado no estado, disputadas por França e Simone Tebet, esta última, vista pelos pessebistas como parte da “cota pessoal” de Lula.
Enquanto a executiva do PSB mantém a prioridade oficial nas candidaturas ao Senado, França reitera que “o PSB não busca compensações” e que seu foco reside na reeleição do governo federal. Contudo, o cenário é complexo: o partido cogitou candidaturas isoladas, o que geraria um congestionamento na esquerda. A viabilidade jurídica dessa estratégia, contudo, é incerta, aguardando definição do TSE, dado que este pleito envolve duas cadeiras de senador, diferentemente de 2022.
A articulação reflete o momento de tensão nas alianças entre PT e PSB Brasil afora. Em Goiás, as negociações avançam lentamente sob a pressão por uma “candidatura robusta”, enquanto em Minas Gerais a ausência de um nome competitivo após a desistência de Rodrigo Pacheco deixa o palanque de Lula ainda indefinido. Em Pernambuco, o petista tenta equilibrar o apoio a João Campos com sua proximidade com a atual governadora, Raquel Lyra.
Como aponta a deputada Tabata Amaral sobre a demora nas definições em São Paulo, o clima de incerteza preocupa o partido: “O mais importante é que a gente entenda que temos uma eleição difícil e não podemos correr o risco da política perder o tempo do que acontece na rua”.