A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em listas ligadas ao terrorismo internacional pode trazer novos desdobramentos para investigados citados em apurações envolvendo as facções. Entre os nomes mencionados está o de Deolane Bezerra, presa desde 21 de maio sob suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, autoridades americanas afirmaram que as medidas atingem inicialmente bens e interesses das organizações que estejam em território dos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos norte-americanos. No entanto, o alcance pode ser ampliado para estrangeiros que mantenham relações financeiras ou comerciais com pessoas e entidades vinculadas aos grupos agora classificados como organizações terroristas.
“Pessoas que realizam determinadas transações ou atividades com essas entidades ou esses indivíduos podem se expor ao risco de sanções”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. O representante acrescentou: “Notavelmente, realizar certas transações com as organizações designadas atualmente acarreta o risco de sanções secundárias de acordo com as leis antiterroristas”.
Além de Deolane, investigações recentes também alcançaram empresas, fintechs e fundos de investimento ligados à região da Faria Lima, em São Paulo. As apurações apontam suspeitas de movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar recursos da facção liderada por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
As chamadas sanções secundárias são punições financeiras aplicadas pelo governo norte-americano contra pessoas ou instituições que mantenham relações com organizações já sancionadas pelos EUA. A nova classificação do PCC e do Comando Vermelho passa a valer oficialmente a partir de 5 de junho.