Um áudio atribuído a um suposto integrante do crime organizado passou a integrar os elementos utilizados pela Polícia Civil de São Paulo para sustentar o indiciamento da advogada e influenciadora Deolane Bezerra na Operação Vérnix. De acordo com o relatório policial, a gravação reforçaria a linha investigativa que apura a origem de valores em espécie supostamente ligados ao núcleo familiar da empresária.
O material veio à tona após denúncias feitas por Denise Rosane Bastos, ex-funcionária da família Bezerra. Ela trabalhou como diarista para os parentes da influenciadora entre 2021 e 2025 e afirma ter sido alvo de ameaças depois de ser acusada de furtar R$ 80 mil em dinheiro vivo da residência de Kayky Bezerra, filho de Deolane, localizada no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.
Segundo a investigação, uma das mensagens recebidas por Denise continha uma gravação na qual um homem afirma pertencer ao crime organizado e menciona supostos recursos de origem ilícita. Em um dos trechos, ele diz: "Dinheiro oriundo do crime. Nós lava dinheiro com os parceiro lá, a mãe do parceiro, o parceiro fecha com nós".
Para os investigadores, as expressões utilizadas na gravação fariam referência a Kayky Bezerra e à própria Deolane. No mesmo áudio, o homem afirma que o grupo não procuraria as autoridades para resolver a situação e faria a cobrança diretamente. Ainda de acordo com o relatório policial, Denise relatou ter recebido ameaças por telefone e alegou ter sido pressionada por pessoas ligadas à influenciadora. A ex-funcionária também afirmou que seguranças particulares teriam realizado buscas em sua residência, veículo e celular após o desaparecimento do dinheiro.
As apurações avançaram depois que Denise entregou um pen drive contendo gravações e mensagens que, segundo ela, foram enviadas por interlocutores desconhecidos. Para os delegados responsáveis pelo caso, o episódio extrapola uma disputa particular e serviria como mais um elemento de sustentação da investigação.
No relatório, a Polícia Civil sustenta que os fatos analisados reforçariam a hipótese de movimentação de grandes quantias em espécie e de uma suposta estrutura destinada à ocultação patrimonial. Com base nesse conjunto de elementos, os investigadores apontam que Deolane teria papel central no esquema investigado.
A defesa da influenciadora, por sua vez, nega qualquer envolvimento com atividades criminosas e sustenta que ela é inocente das acusações. Denise Rosane Bastos também nega ter cometido o furto dos R$ 80 mil. Atualmente, ela move uma ação judicial contra Deolane Bezerra e Kayky Bezerra, acusando ambos dos crimes de calúnia e ameaça.