A investigação que colocou Deolane Bezerra novamente no centro dos holofotes ganhou um novo capítulo. Embora carros de luxo, joias e relógios milionários tenham chamado atenção durante as buscas realizadas pela Polícia Civil de São Paulo, um documento encontrado na residência da influenciadora passou a ser considerado um dos elementos mais relevantes do inquérito.
Batizado de "Cronograma Estratégico e Estruturação Corporativa", o material apreendido durante a Operação Vérnix, realizada há duas semanas, é apontado pelos investigadores como uma espécie de planejamento empresarial detalhado. Segundo a polícia, o documento apresentaria estratégias que poderiam ter sido utilizadas para reorganizar empresas e dificultar o rastreamento de recursos supostamente ligados ao crime organizado.
De acordo com as apurações, o grupo investigado teria ligação direta com integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo o líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Na última sexta-feira, Deolane e outros sete investigados foram formalmente indiciados pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os nomes citados no procedimento também estão familiares de Marcola, além de pessoas apontadas como operadores financeiros do suposto esquema.
Segundo os investigadores, as 12 páginas encontradas na residência da empresária apresentam cronogramas, etapas de execução, metas empresariais e alterações societárias envolvendo diversas empresas ligadas ao grupo investigado.
O relatório policial afirma que o conteúdo vai além de um simples levantamento administrativo.
"Da análise do documento apreendido, verifica-se que o material não se limita a simples levantamento cadastral, mas revela verdadeiro plano estratégico de reorganização societária, expansão comercial e adequação regulatória do grupo investigado, com definição de etapas, prazos, status de execução e pessoas jurídicas envolvidas", destaca o documento assinado pelos delegados responsáveis pelo caso.
Na avaliação da polícia, a estrutura descrita poderia permitir a circulação de recursos entre diferentes empresas dos setores de publicidade, cosméticos, holdings patrimoniais e apoio administrativo, dificultando a identificação da origem do dinheiro.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a presença da empresa DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda no material apreendido.
A companhia já havia sido citada durante as apurações e, segundo a polícia, estava registrada anteriormente em um endereço considerado suspeito no interior paulista. No entanto, o documento encontrado durante a operação já apresenta a empresa vinculada a um novo endereço na zona leste da capital.
A mudança, segundo consulta realizada junto à Junta Comercial de São Paulo, teria sido formalizada recentemente, fato que reforçou as suspeitas dos investigadores sobre a continuidade das movimentações empresariais analisadas no inquérito.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes também recolheram uma série de bens de alto valor que agora fazem parte da investigação. Entre os itens apreendidos estão veículos de luxo como uma Mercedes-Benz AMG G63, uma Cadillac Escalade, uma Land Rover Range Rover P530 e um Jeep Commander Limited.
De acordo com a Polícia Civil, alguns dos automóveis estavam registrados em nome de diferentes empresas, circunstância que passou a ser analisada pelos investigadores. Além dos veículos, foram encontrados 19 relógios de luxo, cerca de 40 joias, R$ 51,4 mil em espécie e 1.550 euros. Equipamentos eletrônicos, incluindo celulares, notebooks, computadores iMac, MacBooks e iPads, também foram recolhidos para perícia.
"A apreensão desse conjunto de bens revela a existência de acervo patrimonial de alto padrão, composto por ativos móveis de elevado valor, fácil transporte e potencial liquidez, compatíveis com estratégias de preservação ou conversão patrimonial em contextos de lavagem de capitais", registraram os delegados no relatório.