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“Se a questão é política, é erro grave”, aponta Nunes sobre investigação de produtora de Dark Horse
Nunes assegurou que o Executivo não encontrou falhas no contrato, defendendo que o acordo “atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade”
02/06/2026 15h06
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Infomoney
Reprodução: JF Diório/Prefeitura de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou na segunda-feira (1º) que a Operação WI-FI pode configurar “perseguição política” caso haja vinculação entre a diligência e o financiamento de um longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Civil apura possíveis fraudes em uma licitação de R$ 108 milhões vencido pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme "Dark Horse".

Questionado sobre a suspeita de que verbas municipais teriam sido desviadas para a Go UP Entertainment, produtora do documentário, o prefeito afirmou: “Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de aterro sanitário, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito, qual o problema da pessoa ter várias atividades? Então, se é essa a motivação, aí eu acho grave. Aí muda o meu discurso. Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política”.

A ação policial cumpriu mandados de busca na ONG, na produtora e na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Nunes assegurou que o Executivo não encontrou falhas no contrato, defendendo que o acordo “atendeu todos os critérios que a gente tem de economicidade”.

Entretanto, as autoridades identificaram um montante de R$ 157,1 milhões em aditivos contratuais, sendo que, desse total, ao menos R$ 26 milhões teriam sido repassados “sem a efetiva prestação do serviço”. A investigação aponta suspeitas de manipulação licitatória, execução contratual fraudulenta e malversação de recursos públicos. A pasta da Tecnologia foi procurada e “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil (ICB) seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

Sobre o vínculo entre a empresária e a produção cinematográfica, Nunes questionou: “E qual o problema? Qual o problema? Ela não pode? Qual o problema? Qual o problema? Aí, gente, vamos ser realistas aqui. Se a questão é política, se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia. Se a questão é política, se por acaso é uma questão política. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave. Aí eu acho que precisa ter um outro tipo de apuração”.

O prefeito descreveu Karina Ferreira da Gama como uma “pessoa decente” e uma “mulher trabalhadora”. O contrato, que visava a instalação de 5 mil pontos de conexão sem fio na periferia, é criticado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), que apontou 20 irregularidades e recomendou a suspensão do certame, o qual foi mantido pela Prefeitura. Adicionalmente, dados do Ministério Público indicam pagamentos antecipados sem comprovação, enquanto o custo por unidade foi fixado em R$ 1,8 mil mensais.