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PoderData: Mais da metade dos brasileiros defendem classificar PCC e CV como terroristas
A coleta amostral cobriu o período de 30 de maio a 1º de junho de 2026, utilizando contatos via telefonia móvel e residencial
03/06/2026 11h04
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Poder360
Reprodução: Divulgação/ CNN IA

A maioria dos cidadãos no Brasil avalia de forma favorável a recente determinação de Washington de categorizar os grupos criminosos Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sob o rótulo de organizações “terroristas”. É o que aponta o levantamento estatístico promovido pelo instituto PoderData entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2026. Na visão de 53% dos entrevistados, o posicionamento é “boa para o Brasil”, enquanto 33% o definem como “ruim” para os interesses nacionais e 14% não manifestaram opinião.

A divulgação da medida ocorreu na última quinta-feira (28/05), logo após o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à chefia do Executivo, cumprir agenda com o mandatário Donald Trump no Salão Oval da sede do governo americano. Ao deixar a Casa Branca, o parlamentar sublinhou que o foco da audiência foi justamente costurar o reconhecimento formal, por parte das autoridades norte-americanas, das alas criminosas do Brasil como entidades terroristas.

Essa resolução externa carrega forte apelo para as urnas eletrônicas no país, consolidando a preservação da ordem pública como um dos pilares de debate da campanha presidencial de 2026.

Diante do anúncio da gestão republicana, a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu à retórica da autodeterminação dos povos, sinalizando que o decreto internacional abre precedentes perigosos para o intervencionismo de fora em assuntos de alçada nacional.

O obstáculo político para o Palácio do Planalto reside na complexidade desse discurso de soberania perante o cidadão comum. O vocábulo “terrorismo” possui assimilação imediata. O cotidiano da população, notadamente nas metrópoles, é pautado pelo receio da criminalidade e pelo avanço do narcotráfico. Sob essa atmosfera, o voto popular costuma ignorar os melindres da diplomacia internacional em favor de respostas duras às facções.

Tanto aliados quanto opositores de Flávio creditaram a manobra de Washington ao périplo do senador pelos Estados Unidos e à sua sintonia com Trump. Caso essa narrativa se firme no imaginário coletivo, o pré-candidato do PL tende a capitalizar eleitoralmente ao se consolidar como o rosto de uma plataforma de combate ostensivo ao crime.

A reviravolta econômica e o ônus político

Contudo, o xadrez político ganhou novos contornos de imprevisibilidade nesta semana. Na segunda-feira (1º/0), a Casa Branca surpreendeu ao apresentar um plano de taxação de 25% sobre um robusto catálogo de mercadorias exportadas pelo Brasil, sob o pretexto de que o mercado brasileiro estaria empregando regras comerciais abusivas que prejudicam as companhias norte-americanas.

Visto que o clã Bolsonaro chancelou posturas protecionistas similares no ano de 2025 e que Flávio despontava como o principal elo com o governo dos EUA, uma parcela do desgaste financeiro decorrente dessa sobretaxa pode ser debitada na conta de sua própria postulação ao Planalto.

Neste momento, os dados do PoderData sinalizam um cabo de guerra de tendências opostas: o apelo da proteção social joga a favor de Flávio, enquanto o sobressalto nas exportações atua como um passivo econômico latente. Caberá aos próximos monitoramentos de opinião mensurar qual dessas forças ditará o humor do eleitorado.

Dados metodológicos

O diagnóstico de opinião pública foi executado pelo PoderData, braço estatístico do Poder360 Jornalismo, com autofinanciamento. A coleta amostral cobriu o período de 30 de maio a 1º de junho de 2026, utilizando contatos via telefonia móvel e residencial. Foram computadas 2.500 sondagens distribuídas por 166 cidades nas 27 unidades federativas. O índice de erro previsto é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, sob um nível de fidedignidade de 95%.

Para atingir a cota de 2.500 depoimentos que espelhem com exatidão os recortes demográficos da população (gênero, faixa etária, poder aquisitivo, grau de instrução e divisão regional), a instituição realiza uma triagem que envolve dezenas de milhares de tentativas de contato, superando frequentemente a marca de 100 mil chamadas telefônicas até consolidar um painel fidedigno do tecido social brasileiro.