O chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi sarcástico ao avaliar o desempenho de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda. A alfinetada ocorre em um momento estratégico, dado que ambos despontam como concorrentes diretos no pleito de outubro, que decidirá quem governará o estado de São Paulo nos próximos quatro anos.
Durante entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Tarcísio rotulou o rival como o "melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai". Na tese do atual governador, o modelo de arrecadação fiscal vigente do país sufoca a iniciativa privada, impulsionando corporações a migrarem suas operações para o território vizinho.
"Ele tem passagem brilhante pelo Ministério da Fazenda. Ele se tornou o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai, porque todas as empresas brasileiras foram para lá. Depois de garantir pro Brasil a maior carga tributária da sua história, uma carga que está batendo quase 22% do PIB, depois de deixar um rastro de empresas endividadas, de pessoas inadimplentes, o brasileiro endividado, um recorde de recuperação judicial, um aumento de sete pontos na relação dívida PIB, um rombo nas contas públicas", ironizou o governador.
A linha de argumentação foi adotada após os entrevistadores indagarem Tarcísio sobre o sentimento de encarar novamente Haddad nas urnas, reeditando o confronto de 2022. O pano de fundo também envolveu o embate ideológico sobre a recente sanção norte-americana contra o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Dias antes, Haddad havia postado que as posições de Tarcísio sinalizavam "uma relação de subserviência do Brasil diante dos Estados Unidos".
"Ele passa o dia todo gravando vídeo de mim, falando mal de mim. É um fã, deve ser. Ele devia apresentar um projeto para São Paulo. Você quer ser governador de São Paulo? Fala o que você pensa para São Paulo (...) O cara só fala bobagem. Não tem subserviência nenhuma. Aqui tem expectativa de combater o crime", rebateu o republicano.
Na mesma oportunidade, o governador distribuiu elogios aos pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO), embora tenha descartado a viabilidade de uma alternativa de centro no tabuleiro federal. Ele reafirmou que seu palanque para a corrida presidencial está fechado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O ex-ministro da Fazenda rebateu prontamente as críticas em posicionamento oficial enviado ao jornal O GLOBO, classificando-as como inverídicas. O assessor de Haddad salientou ser mentirosa a narrativa de que o êxito empresarial rumo ao solo paraguaio tenha se concentrado em seu período na Esplanada: "É falsa a afirmação citada em postagens de que a migração de 232 empresas do Brasil para o Paraguai ocorreu apenas durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, entre o início de 2023 e março de 2026".
A resposta amparou-se em uma checagem realizada pela agência AFP, demonstrando que o grande fluxo de evasão de companhias ocorreu de 2012 a 2020. Haddad baseou-se ainda em relatórios institucionais de Assunção e da representação comercial de investidores brasileiros no Paraguai para indicar que, sob a atual gestão federal, o índice de movimentação foi residual.
Tarcísio, por sua vez, insistiu que a polarização engolirá candidaturas alternativas:
"Só que tá muito polarizado, então não tem espaço para essas lideranças regionais emergerem como uma liderança nacional. Então a disputa vai ser entre Lula e o Flávio, não há dúvida disso", projetou.
Por fim, ao ser blindado de repercussões de escândalos financeiros recentes que abalaram outras gestões subnacionais, como a do Rio de Janeiro, o mandatário blindou a transparência paulista citando os desdobramentos em torno do Banco Master:
"Sabe quantas vezes teve reunião com Vorcaro aqui em São Paulo? Nunca. Qual foi o investimento que o Fundo de Pensão de São Paulo que a a Previc ou a SPREV fez em CDBs do Master? Zero. Nenhum. Então a gente tá absolutamente tranquilo com relação a isso e isso não tem preço", concluiu Tarcísio.