O parlamentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), postulante ao Palácio do Planalto, enviou uma carta oficial ao chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, solicitando que a Casa Branca desista de aplicar barreiras alfandegárias contra o mercado brasileiro. A iniciativa surge após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar uma sobretaxa de 25% sobre as exportações vindas do Brasil.
De acordo com o senador, a barreira tarifária penalizaria diretamente a população. "Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo", ressaltou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para respaldar o apelo por imunidade fiscal, o documento detalha um quadro de severa crise nas contas públicas e no setor privado nacional, apontando que:
O endividamento bruto do país rompeu a barreira de 80% do PIB, somando R$ 10,4 trilhões;
Praticamente metade dos adultos do país (81,7 milhões de pessoas) enfrenta restrições de crédito;
Os pedidos de recuperação judicial atingiram o teto histórico de 2.466 corporações no último ano.
No texto, o congressista pontua que já havia feito o apelo diretamente à gestão de Donald Trump. "Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente ao senhor: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", reforçou.
Flávio demonstrou otimismo em relação ao resultado das urnas e garantiu uma aproximação célere com Washington caso vença a disputa.
"Como eu disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro deste ano. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem", declarou.
O senador aproveitou a oportunidade para congratular Rubio pela inclusão das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de entidades terroristas globais.
"A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou esta medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado", elogiou.
A retaliação proposta pelo USTR é fruto de um procedimento fiscal iniciado em meados do ano passado para avaliar supostas irregularidades comerciais adotadas pelo Brasil.
Entre as justificativas norte-americanas para o aumento de impostos figuram as decisões do Judiciário brasileiro contra plataformas digitais baseadas nos EUA, o estímulo ao Pix em detrimento de bandeiras de pagamento estrangeiras, a tolerância com o comércio de produtos piratas (com menção explícita ao polo comercial da Rua 25 de Março, em São Paulo) e entraves à importação de etanol.
Embora commodities como café e cortes bovinos fiquem de fora do primeiro pacote, as autoridades americanas têm até o dia 15 de julho para formalizar o início das cobranças.
Abaixo, o teor completo do documento protocolado pelo pré-candidato à Presidência:
"Prezado Secretário Rubio,
Escrevo primeiramente para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reafirmou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações repousa sobre valores compartilhados e uma visão comum para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Estas duas facções estão entre as empresas criminosas mais violentas do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro alcançam muito além de nossas fronteiras — chegando ao seu país também.
A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou esta medida, mesmo que ela não tenha agradado ao nosso atual governo. É um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciou pelo Representante Comercial dos Estados Unidos.
Embora eu entenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta ainda — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que levam a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas que o povo brasileiro enfrenta neste momento.
O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida pública bruta geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, atingindo R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado a situam em um recorde de 83,7% até o fim do ano.
As contas públicas continuam a apresentar déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida subiram para níveis recordes. O fardo sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros estão agora inadimplentes — quase metade da população adulta — com compromissos de dívida consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar.
Do lado empresarial, as recuperações judiciais dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números é um recorde histórico.
Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sérios danos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que fiz pessoalmente ao senhor: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como eu disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em outubro deste ano. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rápido possível, um amplo acordo de comércio e investimento benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos merecem.
Permaneço à sua inteira disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe a América e que Deus abençoe o Brasil. Respeitosamente, Flávio Bolsonaro Senador da República Federativa do Brasil"