Um levantamento conduzido pelo PoderData entre 30 de maio e 1º de junho de 2026 revela que 41% da população brasileira avalia o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “melhor” em comparação à gestão de Jair Bolsonaro (PL). Em contrapartida, 37% dos consultados qualificam a administração atual como “pior”. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais, esses estratos encontram-se virtualmente em um cenário de empate técnico.
A sondagem aponta, adicionalmente, que 21% dos ouvidos classificam ambos os períodos como “iguais”, enquanto 1% não soube opinar.
A auditoria foi realizada com recursos próprios do Poder360 Jornalismo, alcançando 2.500 cidadãos distribuídos por 166 cidades nas 27 unidades federativas. A coleta de dados ocorreu via contatos telefônicos (fixos e móveis). O nível de confiança estipulado é de 95%.
Para garantir a representatividade demográfica, a equipe operacional realiza dezenas de milhares de chamadas, frequentemente excedendo a marca de 100 mil tentativas, a fim de espelhar fielmente o perfil social brasileiro em termos de gênero, faixa etária, rendimentos, nível acadêmico e localização.
A percepção sobre o comparativo das administrações apresenta variações significativas de acordo com as características dos participantes:
Gênero: O petista apresenta desempenho superior no eleitorado feminino, onde 46% consideram seu governo “melhor” e 33% o veem como “pior”. Entre o público masculino, a tendência inverte-se: 42% dão preferência ao período de Bolsonaro, enquanto 36% escolhem Lula.
Idade: A avaliação positiva de Lula se amplia conforme a idade do eleitor. Entre os maiores de 60 anos, 50% sustentam que a gestão atual é “melhor”. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, o ex-mandatário leva vantagem: 44% definem a gestão de Lula como “pior”, ao passo que 34% a consideram “melhor”.
Região: O Nordeste firma-se como o atual governo, com 65% classificando-o como “melhor” e apenas 16% como “pior”. Por outro lado, o Sul e o Centro-Oeste demonstram larga inclinação bolsonarista, com 56% e 54% dos entrevistados, respectivamente, avaliando o governo Lula como “pior”.
Renda: Lula mantém hegemonia entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, com 53% vendo seu mandato como “melhor”. Na faixa acima de cinco salários, Bolsonaro sobressai, com 54% considerando a administração petista “pior”.
Escolaridade: Entre o contingente sem instrução formal, 60% apontam preferência por Lula. No extremo oposto, entre os detentores de diploma superior, 52% avaliam a gestão atual como “pior” na comparação com a anterior.
Os resultados sugerem que o presidente logrou, por ora, inverter a balança da comparação direta com o antecessor. Todavia, a cautela é mandatória, visto que os resultados estão na margem de erro, impedindo o diagnóstico de uma transformação estrutural definitiva.
O tema ganha contornos cruciais dada a provável candidatura de Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, o contraste entre os legados de Lula e Jair Bolsonaro será o eixo central da disputa. Qualquer veredito sobre o senador será, implicitamente, uma avaliação sobre o período anterior.
Entretanto, a eventual imposição de sobretaxas por parte da Casa Branca poderá afetar o setor produtivo e pressionar o orçamento das famílias, que já enfrentam patamares recordes de endividamento. Historicamente, tal deterioração financeira resulta em desgaste para quem detém o comando do Palácio do Planalto.
Em suma, embora o cenário tenha se tornado mais amistoso ao Planalto em comparação ao início do ano, a vantagem permanece tênue e insuficiente para qualquer triunfalismo prematuro.
O estudo abrangeu eleitores a partir dos 16 anos e foi aplicada uma ponderação paramétrica para ajustar desproporções em diversas variáveis. O sistema utilizado foi o de URA (Unidade de Resposta Audível), permitindo que os participantes respondessem aos questionamentos gravados por meio do teclado do terminal telefônico.