O parlamentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou, na última quarta-feira (3), sua expectativa de que o governo norte-ameriacno acate seu requerimento para impedir a sobretaxação de mercadorias nacionais. O postulante ao cargo de chefe do Executivo reiterou ter encaminhado um ofício ao secretário de Estado, Marco Rubio, com o propósito de barrar a iniciativa comercial.
Durante compromissos realizados em Minas Gerais, o senador argumentou: "Essa taxa, essa tarifa, é do Lula. É por causa do seu comportamento de agressão aos Estados Unidos que as empresas brasileiras podem acabar sendo penalizadas. E, mais uma vez, eu enviei uma carta para o governo americano pedindo que não houvesse mais essa tarifação. Vamos aguardar que ele atenda ao meu anseio".
A manifestação repercute o posicionamento do Escritório Comercial dos EUA, que na noite de segunda-feira (1º) propôs um tributo de 25% sobre bens brasileiros, ressalvando apenas itens sob a rubrica de "segurança nacional".
Na correspondência direcionada a Rubio, Flávio justifica o pedido ressaltando que o País enfrenta uma "grave deterioração fiscal e econômica" e alerta que os encargos trariam “sérios danos” aos cidadãos locais. Na quarta-feira (3), o político destacou que, a partir de 2027, "o Brasil terá um presidente da República que vai sentar na mesa e negociar de igual para igual com o presidente dos Estados Unidos".
Principal opositor do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro responsabilizou o petista pelo imbróglio tarifário, sugerindo que a Casa Branca "pode estar com raiva" do atual ocupante do Planalto, havendo, na visão do senador, fundamentos para uma eventual sanção contra a gestão atual.
O relatório norte-americano acirrou a disputa retórica entre Lula e Flávio. O senador assegurou ter pedido "expressamente" a Donald Trump para que evitasse restrições contra o Brasil durante o encontro mantido entre ambos em Washington, na semana anterior.
Já o Palácio do Planalto adotou uma narrativa divergente, apontando uma correlação temporal suspeita entre a reunião de Flávio com o republicano e a divulgação do relatório. Em falas recentes, o petista relembrou o episódio do primeiro semestre de 2025, quando Trump impôs sobretaxas severas, e resgatou publicações antigas em que o senador celebrava o endurecimento das medidas comerciais contra o País:
“No dia que ele [Trump] taxou, eu vou dizer o que fez os meninos do Bolsonaro fizeram: os meninos do Bolsonaro, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho, prestem atenção, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: 'Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos o Magnitsky'", relembrou Lula.
O presidente refutou a versão de que o senador teria intercedido pela moderação americana: “Ele hoje dizendo que não falou nada. Ele falou. Ele foi pedir arrego. 'Trump, porra, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula'. Imbecil". Diante da escalada, o mandatário brasileiro anunciou que também formalizará seu posicionamento por meio de uma missiva enviada a Trump.