O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), propôs um rito mais criterioso para a tramitação do projeto que extingue a jornada 6×1, defendendo que a matéria seja submetida a um colegiado adicional antes de seguir ao plenário. O trâmite regimental habitual exigiria apenas o crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Em diálogo com o Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político e docente da FESP-SP, Paulo Niccoli Ramirez, interpreta o movimento de Alcolumbre como uma estratégia para desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“A ideia é prejudicar os logros que Lula poderia ter com a aprovação do fim da escala 6×1 para a campanha eleitoral. Não é de hoje que ele tem feito oposição ao governo Lula, criou dificuldades para provar o nome de Jorge Messias para o STF e não vai acatar as pressões populares para a redução de jornada com o objetivo de sabotar a candidatura de Lula”, pontua, acrescentando: “Ele [Alcolumbre] está articulando para que Lula não seja reeleito”, afirmou o especialista.
No que tange à contraproposta do senador Rogério Marinho (PL), que aventa uma flexibilização que permitiria, inclusive, escalas 7×0, Ramirez aponta que se tratam de expedientes deliberados para desviar o foco da discussão primordial.
“São pedras no meio do caminho para a aprovação do fim da escala 6×1. O que os senadores não estão observando é que, atualmente, a forma de trabalho, a forma que os trabalhadores hoje não têm um único trabalho, faz com que a previdência tenha um alto custo com uma série de questões. Isso só tem o objetivo de fomentar os interesses neoliberais. É um verdadeiro retrocesso e tem como objetivo prejudicar a candidatura de Lula à reeleição”, sustenta.
Por fim, o analista adverte que tal comportamento da bancada conservadora, ao obstruir pautas governistas, pode gerar um efeito bumerangue eleitoral. “A maioria dos senadores, que são conservadores, vai se colocar contrária a qualquer pauta proposta por Lula. Mas é uma manobra arriscada, porque é ano de eleição. E qualquer percalço tende a prejudicar suas próprias candidaturas. E os parlamentares progressistas não vão deixar por isso mesmo, vão expor”, conclui.