A liberdade de Monique Medeiros continua provocando revolta em Leniel Borel. Em entrevista exibida pelo “Fantástico”, da TV Globo, neste domingo (7), o pai de Henry Borel voltou a falar sobre o desfecho do julgamento envolvendo a morte do menino e afirmou que não considera a decisão da Justiça justa diante da gravidade do caso que chocou o Brasil em 2021.
Durante a conversa, Leniel revelou que, no início das investigações, acreditava que Monique poderia estar sendo manipulada ou até impedida de falar livremente sobre as agressões sofridas pelo filho. Segundo ele, sua percepção mudou completamente conforme teve acesso às provas reunidas no processo.
“O que eu achei, eu falei: ‘Opa, ela está sendo comedida, retraída, em cárcere privado e impedida de falar’. Era isso que eu achava, né? Eu imaginava que ela poderia estar protegendo o assassino do filho dela. Eu não imaginava! Porque o meu exemplo de mãe é a minha mãe. Eu não conseguia imaginar que uma mãe pode matar um filho”, declarou.
Ao longo da entrevista, o engenheiro afirmou acreditar que Monique Medeiros ainda omite detalhes importantes sobre as agressões sofridas por Henry antes da morte da criança.
“Pra mim, a mudança aconteceu, na minha opinião, quando eu começo a olhar os fatos, olhar tudo o que aconteceu, com as provas que a gente tinha. A Monique atua até hoje para esconder as agressões que o filho dela sofreu e recebeu. Ela nunca fala que realmente o Jairo agrediu, que ela sabia das agressões”, disse.
Monique foi condenada a 1 ano e 4 meses de detenção por omissão diante das agressões sofridas pelo filho. Como ela já havia permanecido presa preventivamente durante parte do processo, a Justiça considerou a pena integralmente cumprida.
Além disso, os jurados retiraram a acusação de homicídio doloso, enquanto a magistrada responsável concedeu perdão judicial em relação ao homicídio culposo.
Já o ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
Ao comentar a diferença entre as condenações, Leniel Borel fez o desabafo mais forte da entrevista e afirmou que considera a decisão uma injustiça não apenas com Henry, mas também com outras crianças vítimas de violência.
“Não houve justiça pelo Henry. Não ver a Monique sendo condenada na mesma proporção… Porque, para mim, eu, Leniel, como pai, o Jairo é perverso, terrível, um monstro, sádico. Mas a Monique é muito pior, porque ela é mãe. Nós não esperamos, eu não esperava, que uma mãe não protegesse o filho dela. Então, quando eu vejo essa decisão, é uma injustiça muito grande com o Henry e com todas as crianças deste país que estão perdendo a sua vida”, afirmou.
Mais de cinco anos após a morte de Henry Borel, Leniel segue defendendo mudanças na forma como casos de violência contra crianças são tratados pela Justiça brasileira.