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Após ameaça de tarifaço, quais os planos de Trump para o Brasil? Entenda
As recentes pressões de Washington, como o novo pacote de tarifas econômicas e a designação de facções criminosas nacionais como entidades terroristas, confundem o Palácio do Planalto
08/06/2026 11h18
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Carta Capital
Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

A conduta de Donald Trump em relação ao Brasil oscila entre a exigência de uma administração “dócil” à sua estratégia hemisférica e a indefinição entre respaldar a candidatura de Flávio Bolsonaro ou manter canais de diálogo com o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva. As recentes pressões de Washington, como o novo pacote de tarifas econômicas e a designação de facções criminosas nacionais como entidades terroristas, confundem o Palácio do Planalto. “É um jogo de xadrez”, define um colaborador presidencial à Carta Capital.

Para atenuar os atritos, o Executivo brasileiro tenta restabelecer pontes diretas com a Casa Branca, mirando um possível encontro na cúpula do G7 na França. O diálogo pessoal direto funcionou anteriormente para conter o “tarifaço 1” de 2025, que veio atrelado a exigências americanas pela absolvição de Jair Bolsonaro. Essa ofensiva comercial pretérita foi articulada por Eduardo Bolsonaro, que será julgado pelo STF por “coação no curso do processo” em meados de junho. Embora Trump veja a resiliência política do presidente brasileiro como “admirável”, seu Departamento de Estado adota uma linha intransigente.

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, enxerga a região sob a ótica da Guerra Fria e excluiu o governo brasileiro de sua lista de aliados. O aceno de Trump à oposição ficou explícito ao receber o senador, Flávio Bolsonaro, no gabinete oficial, registrando:

“Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”. Esse padrão de interferência também ocorreu na Colômbia, onde Trump endossou um nome da direita publicando: “O resultado desta eleição é muito importante para o futuro da Colômbia e para a relação do país com os Estados Unidos. Por causa de suas grandes realizações ao longo da vida e de seu apoio político a mim, pessoalmente, tenho a honra de dar a Abelardo meu apoio completo e total”.

Diante das barreiras alfandegárias previstas para julho, o Brasil busca abrir canais de negociação. Quanto à rotulação de cartéis como terroristas, a diplomacia brasileira pretende focar nos prejuízos sistêmicos que sanções podem causar aos bancos e ao Pix. Paralelamente, Washington tenta impor o nome de Daniel Perez para comandar a embaixada em Brasília sem submetê-lo ao crivo prévio do Itamaraty, manobra que abre precedentes para um veto silencioso por parte das autoridades nacionais.