Os titulares dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, agendaram para os próximos dias um encontro remoto com o principal negociador comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. O objetivo central é neutralizar a recente escalada de impostos sobre mercadorias brasileiras anunciada por Washington.
A interlocução será viabilizada por meio do comitê de estudos aduaneiros estabelecido no encontro presencial entre os mandatários Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado no mês passado. Vale lembrar que Vieira e Greer já haviam antecipado as tratativas na última quarta-feira em Paris, onde participavam da cúpula da OCDE.
Nos últimos dias, a administração norte-americana colocou sobre a mesa duas propostas de sobretaxas que acenderam o sinal de alerta em Brasília:
A taxação de 25%: Justificada por Washington como retaliação a supostas assimetrias de mercado. O escopo de queixas dos EUA é amplo e abrange desde vereditos do Judiciário brasileiro e o funcionamento do sistema Pix até regras de patentes e índices de desmatamento.
A taxação de até 12,5%: Divulgada logo em seguida, essa tarifa global mira cerca de 60 nações acusadas de negligência em relação ao “trabalho forçado”. O Brasil figura entre os afetados.
Interlocutores do governo federal avaliam que desatar o nó do imposto de 25% será uma tarefa menos árdua do que conseguir uma dispensa da alíquota menor. A meta principal da videoconferência é começar a desenhar os contornos de um consenso bilateral.
A lógica do Planalto: Como o tributo associado à exploração laboral engloba uma lista extensa, incluindo aliados históricos de Washington, abrir uma exceção exclusiva para o Brasil seria diplomaticamente complexo e improvável.
No entanto, a equipe brasileira pretende utilizar justamente o peso dessa segunda cobrança como moeda de troca. O plano é convencer o governo Trump de que o acúmulo de sanções sufocaria as transações comerciais, usando a existência do teto de 12,5% como argumento para livrar as exportações nacionais do pesado encargo de 25%.