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STF julga hoje pedido de liberdade de Deolane Bezerra, suspeita de ligação com o PCC
A detenção ocorreu no âmbito de uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público paulista, voltada a desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC)
09/06/2026 09h23
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Jornal Nacional/Reprodução

Está em pauta nesta terça-feira (9) o julgamento da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que pode conceder a liberdade para a advogada e criadora de conteúdo digital Deolane Bezerra. Ela se encontra sob custódia cautelar desde o dia 21 de maio.

A detenção ocorreu no âmbito de uma ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público paulista, voltada a desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Suspeita-se que a influenciadora integre a organização criminosa, colabore com o narcotráfico e oculte bens ilícitos.

A banca que representa a ré sustenta perante a Corte que a detenção não atende aos pressupostos determinados pela legislação para a manutenção de um cárcere provisório. Segundo os juristas, inexiste perigo real ao andamento do processo, à paz social ou à execução de futura pena, sobretudo porque os elementos de convicção já foram recolhidos pelo Estado.

Os defensores ressaltam ainda os seguintes pontos:

Fluxo Financeiro Suspeito e Empresas de Fachada

Apurações policiais revelam que as contas individuais da influenciadora registraram uma movimentação de R$ 13,6 milhões entre os anos de 2018 e 2022. Paralelamente, três firmas associadas a ela transacionaram mais R$ 14 milhões.

Para as autoridades que presidem o caso, a procedência dos montantes é "espúria". Foram localizadas corporações fictícias vinculadas à advogada em municípios do interior de São Paulo, na mesma região onde fica a penitenciária de Presidente Venceslau. Essas entidades compartilhavam o mesmo endereço comercial com dezenas de outras empresas fraudulentas.

Contraponto: Os representantes de Deolane refutam veementemente qualquer ligação com facções ou ganhos de origem duvidosa, assegurando que todos os faturamentos possuem lastro legal e declaração regular aos órgãos competentes.

Em um primeiro momento, a cúpula diretiva do STJ negou o pleito defensivo. O entendimento foi de que o mérito do habeas corpus não poderia ser debatido na corte superior antes que o Tribunal de Justiça de São Paulo (instância de origem) finalizasse sua própria avaliação sobre o tema.

Diante do revés, a defesa interpôs um novo agravo para reverter o bloqueio. É justamente este requerimento que passa pelo crivo coletivo dos cinco magistrados que compõem o colegiado da Quinta Turma nesta terça.

Desfecho do Inquérito e Acusações Formais

A delegacia de Presidente Venceslau indiciou formalmente Deolane e outras seis pessoas por lavagem de dinheiro e por fazerem parte de organização criminosa. As conclusões foram consolidadas no encerramento das investigações da chamada Operação Vérnix.

O relatório policial expõe o cenário encontrado após o cumprimento das ordens judiciais que resultaram no encarceramento dos envolvidos. Conforme as investigações:

  1. O grupo criminoso permanecia plenamente ativo mesmo no período das capturas.

  2. Havia um esforço para reformular os negócios utilizados para mascarar a origem de recursos e patrimônios.

  3. Detectou-se a abertura de novos CNPJs, transações de bens recentes e uso de rotas financeiras alternativas, inclusive transações com criptoativos.

Apoiada nas novas descobertas, a Polícia Civil confirmou os sete indiciamentos, imputando a Deolane as práticas de lavagem e associação criminosa, e encaminhou novas solicitações aos magistrados. Entre as demandas complementares estão a perda provisória de automóveis apreendidos, o bloqueio ampliado de contas bancárias e o depósito em juízo de relógios de luxo e joias confiscados nas buscas.