O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, interrompeu a divulgação do estudo político da AtlasIntel que indicava recuo nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A medida atende a um requerimento do Partido Liberal, que acusou o questionário de enviesamento após a repercussão de uma gravação entre o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro. O plenário da Corte analisará o veredito nesta terça-feira (9).
Nunes Marques identificou indícios de manipulação psicológica dos participantes devido à inclusão de áudios de uma apuração sigilosa. Ele ressaltou que a suspensão provisória não gera prejuízos caso a viabilidade técnica seja atestada futuramente.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, ponderou o magistrado.
O ministro verificou que 27 levantamentos anteriores da empresa não continham mídias sonoras ou perguntas correlatas, ordenando o envio de relatórios explicativos pela AtlasIntel e a avaliação do Ministério Público Eleitoral.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, concluiu.
A organização informou que acatará a ordem, confiando que o cenário "será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada" e que o "colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo".
A empresa esclareceu que o áudio não foi exibido durante a coleta de dados. A reprodução ocorria em um ambiente virtual externo, por meio do sistema "Atlas VRC", somente após a finalização do questionário, "sem qualquer possibilidade de retornar às perguntas anteriores ou alterar as respostas já registradas".
A nota pontuou que "pesquisas de opinião realizadas posteriormente por diferentes institutos identificaram o mesmo padrão de impacto do episódio sobre as intenções de voto do candidato do Partido Liberal, em alguns casos apontando efeitos de magnitude ainda superior à observada pela AtlasIntel".
O diretor-executivo Andrei Roman rejeitou "qualquer viés político" na amostragem:
"A AtlasIntel pauta seu trabalho pela imparcialidade, rigor científico e precisão. Foi essa combinação que permitiu à AtlasIntel ganhar um destaque global e ser a empresa mais precisa em 102 eleições em todo o mundo nos últimos 7 anos, incluindo o 1° turno da recente eleição presidencial da Colômbia, na qual a AtlasIntel foi o único instituto a indicar a vitória do candidato oposicionista de direita Abelardo de la Espriella", defendeu.
A empresa declarou-se "plenamente disposta a colaborar com as autoridades eleitorais para contribuir com o desenvolvimento de parâmetros e interpretações que acompanhem a evolução das metodologias de pesquisa, sempre em benefício da transparência, da qualidade da informação e do aperfeiçoamento do debate público".