O parlamentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disparou duras críticas ao mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira (8). O congressista fluminense declarou que o petista se comporta como "o chefe do PCC" ao se posicionar contra a recente medida de Washington, que enquadrou a facção paulista e o Comando Vermelho no rol de entidades terroristas internacionais.
"[A classificação] é a maior oportunidade que nós temos de acabar com esse poder paralelo, que é o que eles são. Então não tem que ter tolerância, tem que ter unidade da nossa parte. Aí você olha para o presidente do Brasil, ele pensa o contrário. Parece que ele é o chefe do PCC. Muitas pessoas começam a pensar isso", sentenciou o senador.
O pronunciamento ocorreu durante um banquete político promovido pelo Grupo Voto, coalizão que congrega lideranças corporativas femininas, realizado nas dependências do hotel Palácio Tangará, em São Paulo.
No palanque, o pré-candidato estruturou seu discurso ao redor da economia e da ordem pública. Ele responsabilizou as gestões de esquerda pelo sentimento generalizado de vulnerabilidade social e defendeu o enrijecimento penal para reter detentos perigosos por períodos mais longos em regime fechado.
Discurso do Senador: "Os governos do PT vieram numa linha de desencarceramento. A gente precisa de uma linha que combata a impunidade, porque foi essa a consequência dos governos do PT", asseverou Flávio. "Todos nós [estamos] aqui sofrendo com a violência nas ruas, todo mundo anda com medo, anda preocupado. Imagina quem não tem condição de ter um carro blindado, de ter um segurança, ou de morar num condomínio, que é a grande maioria do povo brasileiro", acrescentou.
Apesar de condenar enfaticamente o domínio geográfico exercido pelos dois maiores cartéis de drogas do país, o político fluminense omitiu do debate a atuação das milícias, que controlam diversas comunidades urbanas, em especial no seu estado de origem, o Rio de Janeiro.
A ala governista rejeita a rotulação proposta pela Casa Branca por entender que o mecanismo jurídico abre precedentes para intervenções militares estrangeiras, colocando em risco a soberania nacional. Ao rebater as movimentações do opositor, Lula rotulou Flávio como "sem-vergonha de trair a pátria", aludindo à agenda oficial do senador com o mandatário norte-americano Donald Trump e com o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, ocorrida 48 horas antes da sanção da nova lei em Washington.
Frente ao auditório de empresárias, Flávio delineou metas caso venha a vencer a eleição presidencial:
Prorrogação de Prazos: Prometeu postergar por doze meses o início da transição da unificação de impostos, agendada originalmente para entrar em vigor em 2027.
Desestatização: Confirmou a intenção de transferir os Correios para a iniciativa privada.
Segredo Estratégico: Esquivou-se de apontar nomes cotados para chefiar a equipe econômica.
O almoço contou com a presença de aproximadamente 180 convidadas. O Grupo Voto, conhecido por capacitar e integrar mulheres do setor produtivo na esfera política, informou que os também pré-candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) aceitaram convites para sabatinas futuras. O atual chefe de Estado igualmente recebeu o chamado para apresentar suas ideias.
Após a conclusão das atividades, Flávio Bolsonaro evitou o contato com os repórteres credenciados e preferiu não se manifestar sobre os desdobramentos relacionados ao caso do Banco Master. O senador também não teceu comentários sobre o veredito do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que barrou temporariamente o levantamento estatístico da AtlasIntel que apontava um recuo de seis pontos percentuais de suas intenções de voto em um eventual segundo turno contra o atual presidente.