A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), defendeu na segunda-feira (8) a importância de um diálogo respeitoso com o eleitorado evangélico. A declaração foi feita em entrevista ao Poder360, ao comentar a resistência de parte desse segmento ao PT e à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao abordar o tema, Marina destacou: “Tratar as pessoas com respeito. Estamos numa democracia e as pessoas têm direito de escolha numa eleição que o que tem que se olhar são as propostas, o trabalho que já foi feito, os resultados já alcançados. A partir daí, as pessoas tomarão suas decisões, sejam aqueles que creem, aqueles que não creem”.
A fala ocorreu durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT, realizado na sede nacional do partido, em Brasília. A iniciativa reuniu representantes do Setorial Nacional Inter-religioso da legenda, do Núcleo Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT e da Fundação Perseu Abramo.
Durante sua participação, a ex-ministra também reforçou a necessidade de separar convicções religiosas da atuação política. Segundo ela, o diálogo com a população deve ser pautado pelo respeito e pela atenção às demandas sociais.
“As pessoas sabem quando as coisas estão em conformidade com aqueles mais vulneráveis. Os pequenos irmãos de Jesus, como ele costumava dizer: ‘Quando tive fome, tu me deste de beber. Quando estava preso, tu me visitaste’. É assim que nós vamos dialogar. Respeitando as pessoas. Ninguém é obrigado a instrumentalizar sua fé pela política nem a política deve ser instrumentalizada pela fé”, acrescentou.
O debate ocorre em um momento em que pesquisas apontam dificuldades do governo federal junto ao público evangélico. Levantamento do PoderData divulgado em 29 de maio indicou que a desaprovação da administração Lula nesse segmento alcançou 60%, registrando crescimento de quatro pontos percentuais durante o atual mandato.
Além de comentar o cenário político, Marina Silva voltou a defender a construção de uma ampla articulação em torno de pautas ambientais e sociais. No entanto, ressaltou que essa união não incluiria grupos ou setores que, em sua avaliação, estejam associados à degradação ambiental.
Ao participar de uma das mesas do encontro, declarou: “Vamos trabalhar numa frente ampla. Com quem crê, com quem não crê. Com trabalhadores, com empresários, com mulheres, com pessoas indígenas, com pessoas pretas, com todas as pessoas. Mas sabemos o que queremos alcançar. Aonde queremos chegar. Não vamos sentar à roda com os escarnecedores nem da Braskem, nem dos garimpeiros, nem de quem quer destruir a Amazônia, o cerrado, a caatinga e a Mata Atlântica”.
A menção à Braskem faz referência ao desastre socioambiental ocorrido em Maceió (AL), onde a exploração de sal-gema foi associada ao afundamento do solo em diversos bairros da capital alagoana.