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PT critica 'uso eleitoral da fé' em carta aos evangélicos; entenda
Sem mencionar diretamente adversários políticos, o texto faz referência a uma declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que justificou sua ausência na Marcha para Jesus, realizada na última quinta-feira (4), em São Paulo
10/06/2026 12h49
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Divulgação/Partido dos Trabalhadores

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta direcionada ao público evangélico na qual critica a utilização da religião como ferramenta eleitoral. O documento foi publicado após um encontro promovido pela legenda com representantes ligados ao segmento cristão e reforça a defesa da separação entre fé e interesses políticos.

Sem mencionar diretamente adversários políticos, o texto faz referência a uma declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que justificou sua ausência na Marcha para Jesus, realizada na última quinta-feira (4), em São Paulo. Segundo a carta, "Compartilhamos do entendimento do próprio presidente de que não se deve 'tirar proveito político de uma coisa sagrada'".

Ao apresentar seu posicionamento, o partido afirmou: "A partir de uma avaliação cidadã, democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé".

Na ocasião da Marcha para Jesus, Lula informou que não participaria de celebrações religiosas durante o período eleitoral. O presidente, entretanto, conversou por telefone com o apóstolo Estevam Hernandes, responsável pela organização do evento. A interlocução contou com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o governo na cerimônia e tem atuado na aproximação entre o Palácio do Planalto e lideranças cristãs.

O encontro religioso reuniu diversas figuras ligadas ao campo conservador. Entre os presentes estavam o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A manifestação do PT foi divulgada na noite seguinte a um evento realizado pela legenda com representantes evangélicos. Participaram da atividade a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, além do presidente nacional do partido, Edinho Silva, dos deputados Benedita da Silva (PT-RJ) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), e da senadora Eliziane Gama (PT-MA).

Em outro trecho, o documento associa valores cristãos a pautas sociais e democráticas. O texto destaca: "A fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação. A defesa da democracia, da justiça social, da Reforma Agrária; o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus e da melhor tradição evangélica".

A legenda também ressaltou o papel desempenhado por igrejas, entidades comunitárias e iniciativas solidárias no apoio às populações mais vulneráveis. Segundo a carta, "Nossa fé nos ensina que não podemos ser indiferentes ao sofrimento humano. Seguir Jesus Cristo significa cuidar da vida, promover a justiça, praticar a solidariedade e defender a dignidade de todas as pessoas".

Outro ponto abordado pelo texto foi a preocupação com a circulação de informações falsas e com o uso da religião para objetivos políticos ou financeiros. Nesse contexto, o partido declarou: "O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum".

Ao tratar da relação histórica entre o partido e o segmento evangélico, a legenda afirmou: "Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica".

Na parte final do documento, o partido incentiva a participação ativa dos evangélicos na construção do debate público e na definição dos rumos do país. Conforme destaca a carta, "Estimulamos a presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país".

A mensagem também faz um convite à sociedade para que participe das discussões relacionadas às eleições de 2026 com responsabilidade e espírito democrático:

"À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, convidamos as igrejas, lideranças religiosas, movimentos populares, organizações da sociedade civil e toda a população brasileira a participar do debate público com liberdade, responsabilidade, respeito e esperança".

Encerrando o texto, o PT reforça sua visão sobre o papel da fé e da política na sociedade brasileira:

"Seguimos acreditando em um Brasil onde a fé caminhe ao lado da justiça, a política esteja a serviço da vida, a democracia seja fortalecida, a soberania nacional seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e a esperança seja mais forte do que o medo".