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Morre, aos 86 anos, o cineasta Orlando Senna
A notícia foi divulgada por sua sobrinha, Indra Rocha, por meio das redes sociais. Até o momento, a família não revelou a causa da morte
10/06/2026 13h59
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: GOV/BA

O cinema brasileiro perdeu nessa última terça-feira (9) um de seus nomes mais importantes. O diretor, roteirista e produtor Orlando Senna faleceu aos 86 anos. A notícia foi divulgada por sua sobrinha, Indra Rocha, por meio das redes sociais. Até o momento, a família não revelou a causa da morte.

Ao comunicar a perda, Indra prestou uma homenagem emocionada ao cineasta:

"É com imensa tristeza que comunico o falecimento do meu querido tio, Orlando Senna. Um homem que dedicou sua vida à arte, à cultura, à liberdade e à construção de um mundo mais humano e sensível. Um homem que com sua imensa generosidade, abriu portas para mim e para tantas outras pessoas, sempre incentivando, acolhendo e criando conexões com nossos sonhos. Quem teve a oportunidade de conhecê-lo sabe da sua doçura, do seu humor, da sua inventividade e da forma positiva com que enxergava a vida e as pessoas".

Poucos dias antes de sua morte, no último domingo (7), Senna esteve presente em uma sessão de cinema realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Na ocasião, registrou uma fotografia ao lado do ator Antônio Pitanga, amigo de longa data.

Natural de Afrânio Peixoto, distrito de Vitória da Conquista, na Bahia, Orlando Senna construiu uma trajetória marcante no audiovisual nacional. Entre seus trabalhos mais conhecidos está o clássico "Iracema – Uma transa amazônica" (1975), dirigido em parceria com Jorge Bodanzky.

A produção acompanha a jornada de um caminhoneiro interpretado por Paulo César Pereio pela rodovia Transamazônica. Durante o percurso, ele conhece uma jovem prostituta vivida por Edna de Cássia e passa a testemunhar as transformações sociais e os conflitos presentes na região amazônica.

Sua relação com o cinema começou ainda no início da década de 1960, quando atuou como assistente de direção de Roberto Pires em "Tocaia no Asfalto" (1962). Na Bahia, também desenvolveu projetos teatrais e realizou seus primeiros curtas-metragens, além de participar de iniciativas ligadas à Escola de Teatro de Salvador e ao Centro Popular de Cultura.

No fim dos anos 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ampliou sua atuação artística. Sua estreia na direção de longas ocorreu com "A Construção da Morte" (1969), mas foi com "Iracema", obra que mistura ficção e documentário e enfrentou restrições durante o regime militar, que alcançou reconhecimento nacional.

Ao longo da carreira, assinou ainda títulos como "Gitirana" (1976) e "Diamante Bruto" (1977). Também colaborou como roteirista em produções de cineastas consagrados, entre eles Hector Babenco, Geraldo Sarno e Ruy Guerra, consolidando seu legado como um dos importantes nomes da cultura brasileira.