Levantamento divulgado pela Genial/Quaest nesta quarta-feira (10) indica uma ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno nas eleições presidenciais de outubro.
No cenário simulado pela pesquisa, os números são os seguintes:
• Lula: 44%
• Flávio Bolsonaro: 38%
• Brancos e nulos: 14%
• Indecisos: 4%
O estudo também avaliou possíveis reflexos eleitorais da repercussão das conversas entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, além do impacto do anúncio de eventuais tarifas comerciais defendidas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Brasil.
Na rodada anterior, realizada em maio, Lula registrava 42% das intenções de voto, enquanto Flávio aparecia com 41%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Agora, o petista abre uma diferença de seis pontos sobre o senador e deixa para trás o cenário de empate técnico observado anteriormente.
O resultado representa uma mudança em relação ao levantamento de abril, quando Flávio Bolsonaro havia aparecido numericamente à frente de Lula pela primeira vez em uma simulação de segundo turno. Na ocasião, o parlamentar alcançava 42%, contra 40% do atual presidente.
Nas redes sociais, o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, apontou três elementos que ajudam a explicar o desempenho de Lula nas pesquisas:
Isenção do Imposto de Renda: “Os efeitos da isenção do imposto de renda continuam a aumentar mesmo que marginalmente”, avalia Nunes.
Desenrola 2.0: “O novo Desenrola já fez cair o percentual de brasileiros que se diziam com muitas dívidas (de 28% para 23%), enquanto foi para 30% o percentual de quem diz que não tem mais dívidas”.
Percepção das notícias sobre o governo: as avaliações positivas relacionadas à gestão federal passaram de 32% para 34%, enquanto as negativas recuaram de 43% para 40%.
Ao analisar a situação de Flávio Bolsonaro, Nunes também destacou três fatores que, segundo ele, contribuíram para a piora do desempenho eleitoral do senador:
“A piora no cenário eleitoral, especialmente contra o Flávio, também está embasada em três fatores que se complementam: primeiro, aumentou de 9% para 16% os brasileiros que acreditam que a crise do Master afetará mais a família Bolsonaro”.
O cientista político acrescenta que a maioria dos entrevistados considera inadequado o pedido de financiamento feito por Flávio a Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo ele: “A grande maioria acredita que Flávio errou ao pedir financiamento para o filme sobre Jair Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Erro que, na opinião de 58% dos brasileiros, sugere que Flávio possa estar escondendo algum envolvimento ilegal no caso do banco Master. E, terceiro, a agenda com Trump não parece ter trazido boas notícias para Flávio”.
A pesquisa também simulou confrontos entre Lula e outros possíveis adversários.
Contra Romeu Zema (Novo):
• Lula: 45%
• Romeu Zema: 35%
• Brancos/nulos: 17%
• Indecisos: 3%
Diante de Ronaldo Caiado (PSD):
• Lula: 45%
• Ronaldo Caiado: 35%
• Brancos/nulos: 16%
• Indecisos: 4%
Já em uma eventual disputa contra Renan Santos (Missão), o presidente mantém a liderança:
• Lula: 45%
• Renan Santos: 31%
• Brancos/nulos: 20%
• Indecisos: 4%
Cenário de primeiro turno
No levantamento para o primeiro turno, Lula aparece na liderança com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro soma 29%.
Os demais nomes registraram:
• Ronaldo Caiado: 3%
• Renan Santos: 3%
• Aécio Neves: 2%
• Romeu Zema: 2%
• Augusto Cury: 1%
• Joaquim Barbosa: 1%
• Samara Martins: 1%
• Cabo Daciolo: 0%
• Edmilson Costa: 0%
• Heró Bezerra: 0%
Além disso, 10% dos entrevistados se declararam indecisos e 9% afirmaram votar em branco, anular ou não comparecer às urnas.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que 63% dos eleitores dizem já ter uma escolha definida, enquanto 36% admitem a possibilidade de mudar de candidato até a eleição.
A pesquisa foi encomendada pelo Banco Genial e realizada entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.