O Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou uma acusação contra Deolane Bezerra, compilando uma vasta gama de evidências que, conforme a promotoria, evidenciam conexões entre a advogada, membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e parentes de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Protocolado na última quarta-feira (10), o dossiê de 356 páginas imputa os delitos de lavagem de dinheiro e organização criminosa a Deolane e outros seis réus, grupo que inclui Marcola, seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho, dois sobrinhos dele e Everton de Souza, este último identificado pelos investigadores como o gestor financeiro da estrutura.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustenta que o arcabouço probatório é robusto, abrangendo diálogos interceptados em dispositivos móveis confiscados, arquivos de áudio remetidos ao Judiciário, além de uma análise detalhada de operações bancárias monitoradas pelos órgãos de controle.
Evidências apontam depósitos e comunicações suspeitas
A acusação detalha que uma conta bancária associada a Deolane teria sido utilizada para receber transferências de uma empresa de transporte, cujo destinatário final seria Alejandro Camacho. A promotoria sustenta que há documentação comprobatória destas transações.
Adicionalmente, foram examinadas interações entre um dos sócios dessa transportadora e Everton de Souza. Nessas tratativas, os envolvidos discutiam a utilização de telefones restritos para assuntos específicos, evitando o uso desses aparelhos no cotidiano pessoal. A polícia também localizou, em um imóvel ligado a Everton de Souza, uma caixa rotulada com o nome de Deolane, contendo R$ 7,8 mil em dinheiro vivo.
Outro elemento do processo deriva de um boletim de ocorrência lavrado por uma ex-diarista da família. Após ser acusada de roubar bens, a mulher defendeu-se apresentando às autoridades um dispositivo com gravações de áudio. Tais registros, segundo a denúncia, sugerem que montantes em espécie ali armazenados seriam de facções criminosas e que a estrutura realizava esquemas de lavagem de dinheiro.
Em posicionamento público emitido na quarta-feira, a defesa da influenciadora refutou os fatos narrados, asseverando que ela “não faz parte de nenhuma organização criminosa”.