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Flávio aciona Lula no STF por incitar enforcamento aos “traidores da pátria”; entenda
A representação fundamenta-se em falas proferidas por Lula durante um evento oficial na cidade de Catalão (GO)
12/06/2026 12h13
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca viabilizar sua candidatura ao Palácio do Planalto, formalizou nessa última quinta-feira (11) uma queixa-crime junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A peça jurídica sustenta que o petista, ao proferir um pronunciamento no último dia 2 de junho, teria instigado seus seguidores a cometerem um homicídio contra o parlamentar por meio de enforcamento.

A representação fundamenta-se em falas proferidas por Lula durante um evento oficial na cidade de Catalão (GO). Na ocasião, o mandatário repreendeu membros do clã Bolsonaro sob a acusação de buscarem o respaldo de líderes estadunidenses para intervir nos assuntos internos brasileiros.

Durante o palanque, o petista declarou que “por menos, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”. Logo após, indagou ao público: “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem”.

Vale ressaltar que a declaração incorreu em equívoco factual: historicamente, o executado em 1792 foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, e não o denunciante Joaquim Silvério dos Reis.

Conforme a argumentação levada pela defesa do legislador ao Tribunal, o presidente teria estimulado a violência por meio de um questionamento retórico. “A pergunta por ele [Lula] formulada é retórica, justamente porque já traz embutida a resposta que deseja semear: o senador Flávio Bolsonaro deve ser morto por sua (inexistente) ‘traição’”, pontua o petista.

O discurso de Lula visava atacar a iniciativa da gestão norte-americana de aplicar uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. O presidente vinculou tal sanção a um suposto lobby da família Bolsonaro, citando especificamente a reunião realizada por Flávio com o presidente dos EUA, Donald Trump, ocorrida em 26 de maio.