O representante do PL na corrida ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, registrou uma perda de força eleitoral entre o público evangélico, a ala feminina, os eleitores mais jovens e a população de áreas estratégicas como o Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Esse realinhamento de forças permitiu que o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conquistasse uma distância mais confortável no cenário projetado para o segundo turno, de acordo com o levantamento da Quaest efetuado na primeira semana de junho de 2026.
No atual momento, o petista atinge 44% das preferências, enquanto o parlamentar do PL soma 38%. Desde o terceiro mês do ano, os dois concorrentes vinham travando uma disputa dentro do limite da igualdade estatística.
As modificações geográficas mais acentuadas ocorreram no bloco que reúne as regiões Norte e Centro-Oeste, além do Sudeste. Em relação ao levantamento do mês anterior, Flávio registriou um recuo de 8 pontos percentuais no primeiro bloco geográfico e perdeu 3 pontos no segundo.
Os dados colhidos apontam o seguinte comportamento do eleitorado:
Sudeste: O congressista detém 41% contra 39% do chefe do Executivo. Os cidadãos que se declaram indecisos somam 17%, enquanto votos em branco, nulos ou abstenções chegam a 3%. No mês anterior, o cenário era de 44% a 37% favorável a Flávio.
Centro-Oeste/Norte: O candidato da oposição pontua 42% e Lula alcança 40%. Aqueles que não souberam responder são 11%, e o grupo de brancos, nulos ou que não pretendem votar representa 7%. Na rodada de maio, o placar exibia 50% para o nome do PL e 36% para o atual presidente.
A pesquisa foi efetuada entre os dias 5 e 8 de junho de 2026, ouvindo 2.004 cidadãos aptos a votar a partir de 16 anos pelo território nacional. O índice de confiabilidade do estudo é de 95%. A variação padrão estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos no plano geral, oscilando entre 3 e 5 pontos nos segmentos específicos. O processo está devidamente protocolado junto à Justiça Eleitoral sob a identificação BR-07661/2026, tendo demandado um investimento de R$ 433.255,92 financiado pela instituição Genial.
A folga que o senador desfrutava no bloco Norte/Centro-Oeste encolheu drasticamente, passando de 14 para escassos 2 pontos. Já no Sudeste, região onde ele chegou a abrir 12 pontos de dianteira no mês de abril, a diferença atual é de apenas 2 pontos numéricos a seu favor. Ambas as situações configuram um cenário de igualdade técnica.
O recuo do candidato do PL também se fez notar em nichos onde ele historicamente mantinha a liderança. Veja o comportamento desses grupos sociais no recorte atual:
Faixa de 16 a 34 anos: Lula aparece com 44% e Flávio com 39%. Os indecisos contabilizam 13%, e brancos ou nulos somam 4%. Em maio, o parlamentar vencia por uma diferença de 45% a 38%.
Eleitorado Feminino: O petista angaria 47% das intenções de voto e o senador obtém 33%. As mulheres indecisas representam 15%, e os votos nulos ou brancos chegam a 5%. Na sondagem prévia, o presidente tinha 45% contra 36% do opositor.
Segmento Evangélico: O político do PL lidera com 52%, enquanto o atual mandatário atrai 31%. Os que não se decidiram são 12%, e os votos inválidos ou brancos totalizam 5%. No período anterior, o placar mostrava uma distância maior: 61% a 24%.
Faixa de 2 a 5 salários mínimos: O atual governante assume a liderança com 44% frente a 38% do rival. Os indecisos somam 14% e os votos brancos ou nulos chegam a 4%. Um mês antes, o cenário era inverso, com Flávio registrando 44% e Lula com 40%.
Grau de Instrução Superior: O candidato da oposição pontua 41% e o chefe de Estado fica com 38%. Os indecisos chegam a 17% e brancos ou nulos alcançam 4%. Na amostragem de maio, o congressista exibia uma vantagem folgada de 48% a 33%.
No público masculino, o pré-candidato do PL sustenta uma liderança numérica de 44% contra 41% do líder do PT, o que também caracteriza um empate no limite da margem de erro. Em maio, a vantagem do senador nesse nicho era de 8 pontos.
Na parcela que recebe acima de 5 salários mínimos, o postulante da oposição oscilou negativamente de 51% para 46%, enquanto o atual presidente permaneceu estabilizado em 34%. Entre os cidadãos que completaram o Ensino Médio, a disputa mostra equilíbrio quase absoluto: 41% para o parlamentar e 40% para o chefe do Executivo.
O período de transição entre as duas rodadas de pesquisa foi marcado pela exposição midiática das transações entre Flávio Bolsonaro e o empresário do setor financeiro Daniel Vorcaro. O senador captou um aporte de R$ 61 milhões junto ao proprietário do Banco Master, recurso carimbado para a produção da obra audiovisual sobre a trajetória de seu pai, intitulada “Dark Horse”. Adicionalmente, o governo norte-americano promoveu uma mudança diplomática relevante ao enquadrar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital na categoria de organizações “terroristas”, além de impor barreiras alfandegárias mais rígidas a itens de exportação do Brasil logo após uma agenda oficial do parlamentar em solo estadunidense.